segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Mecanismos das Comunicações - 3ª Parte

(Continuação da postagem anterior)

7.4 Responsabilidade do médium nas comunicações

Comumente o médium se deixa sugestionar pelos Espíritos rebeldes ou menos esclarecidos e sob a sua influência, extravasam no campo físico, suas impressões de desequilíbrio de que o comunicante se faz portador.
Isto se verifica quase sempre com o médium que ignora a sua responsabilidade na manifestação mediúnica, quando não o faz julgando que a “encenação” provocada pelo irmão sofredor é indício de autenticidade da “incorporação” do Espírito.
Qualquer que seja o motivo que leva o médium a permitir este excesso, sem qualquer controle de sua parte, denota que ele, embora detentor de faculdades psíquicas, ainda não se compenetrou de suas responsabilidades e não se dedica ao estudo doutrinário e aperfeiçoamento evangélico, indispensáveis ao melhor desempenho de sua tarefa.
Quanto à conduta do médium, André Luiz nos recomenda:
“Controlar as manifestações mediúnicas que veicula, reprimindo, quanto possível, respiração ofegante, gemidos, gritos e contorções, batimento de mãos e pés ou quaisquer gestos violentos”.
“O medianeiro será sempre o responsável direto pela mensagem de que se faz portador.”(Xavier, F. C./Luis, A. Conduta Espírita. Cap IV).

Conscientes de que o pensamento do Espírito, antes de chegar ao cérebro do médium, passa pelo seu cérebro perispirítico, fácil compreender que o médium pode e deve “policiar” as sugestões do comunicante, permitindo que seja externado apenas o necessário para o esclarecimento e orientação do Espírito, por parte do dirigente da reunião.
É compreensível que o Espírito em desequilíbrio, sugira ao médium: gritos, contorções, batimentos de mãos e pés ou outros gestos violentos, no entanto, cabe ao medianeiro, opor a estas sugestões, atitudes moderadas e equilibradas, as quais, coibindo a violência do comunicante, funcionam à guisa de alerta para o próprio Espírito, facilitando assim o esforço para sua orientação.
Por isso, em uma mesma reunião, com um mesmo Espírito se comunicando através de dois médiuns distintos, pode se verificar o seguinte:
Encontra-se no primeiro médium um instrumento afim com o seu estado íntimo, não só dará expansão as suas atitudes menos edificantes quanto, dificilmente assimilará os recursos esclarecedores que o dirigente busque lhe endereçar. Se, ao contrário, aproxima-se de um médium espiritualizado, à sua simples aproximação, já é auxiliado, pois este irradia, naturalmente, vibrações de paz e harmonia com que o envolve beneficamente. A tarefa do dirigente, nesse caso, é grandemente facilitada pela condição íntima do médium.
Lembremos mais uma vez André Luiz:
“Ainda mesmo um médium absolutamente sonâmbulo, incapaz de guardar lembranças posteriores ao socorro efetuado, semi-desligado de seus implementos físicos, dispõe de recursos para governar os sentidos corpóreos de que o Espírito comunicante se utiliza, capacitando-se, por isso, com o auxílio dos instrutores espirituais, a controlar devidamente as manifestações.
Não se diga que isso é impossível. Desobsessão é obra de reequilíbrio, refazimento, nunca de agitação e teatralidade.
Nesse sentido, vale recordar que há médium de incorporação normal, e médium ainda obsidiado. E, sempre que o médium, dessa ou daquela espécie, se mostre obsidiado, necessita de socorro espiritual, através de esclarecimento, emparelhando-se com as entidades perturbadas carentes de auxílio.
Realmente, em casos determinados, o medianeiro da psicofonia não pode governar todos os impulsos destrambelhados da inteligência desencarnada que se comunica na reunião, como nem sempre o enfermeiro logra impedir todas as extravagâncias da pessoa acamada; contudo, mesmo nessas ocasiões especiais, o médium integrado em suas responsabilidades dispõe de recursos para cooperar no socorro espiritual em andamento, reduzindo as inconveniências ao mínimo.” (Xavier, F. C.; Vieira, W./Luis, A. Desobsessão. Cap 43).

Encerramos com Martins Peralva, concitando-nos à auto-evangelização:
“Os médiuns, portanto, que desejam, sinceramente, enriquecer o coração com tesouros da fé, a fim de ampliarem os recursos de servir ao Mestre na seara do bem, não podem nem devem perder de vista o fator auto-aperfeiçoamento”.(Peralva, N. Estudando a Mediunidade. Cap IV).

Não podem, de forma alguma, deixar de nutrirem-se com o alimento evangélico, tornando-se humildes e bons, devotados e convictos, a fim de que os modestos encargos mediúnicos de hoje sejam, amanhã, transformados em sublimes e redentoras tarefas, sob o augusto patrocínio do Divino Mestre, que nos afirmou ser o “Pão da Vida” e a “Luz do Mundo”.
Abnegação por perseverança, no trabalho mediúnico, mantém o servidor em condições de sintonizar, de modo permanente, com Espíritos Superiores, permutando, assim, com as forças do bem as divinas vibrações do amor e da sabedoria.
Estabelecida, pois, esta comunhão do medianeiro com os prepostos do senhor, a prática mediúnica se constituirá, com reais benefícios para o médium e o agrupamento onde serve, legítima sementeira de fraternidade e socorro.

AutoraVólia Loureiro do Amaral Lima

REFERÊNCIAS

1) Xavier, F. C./Luis, A Nos Domínios Da Mediunidade. 2. ed. FEB.
2) Peralva, M. Estudando a Mediunidade.4. ed. FEB.
3) Xavier, F. C./Luis, A. Desobsessão. 1. ed. FEB.
4) Xavier, F. C./Luis, A. Conduta Espírita. 1. ed. FEB.
5) Xavier, F. C./Luis, A. No Mundo Maior. FEB, 1962.
6) Novo Testamento. Mateus, 26:41
7) Almeida Jr. Elementos de Anatomia e Fisiologia Humanas. Nacional, 1958.
8) Orieux, M.; Everaere, M.; Leite, João d’Andrade. O Homem. Liceu, 1967.
9) Kahn, Fritz. O Corpo Humano.  Civilização Brasileira, 1962.

Mecanismos das Comunicações - 2ª Parte

(continuação da postagem anterior)


7.3 Sintonia (vibrações compensadas)

Sintonia significa, em definição mais ampla, entendimento, harmonia, compreensão, ressonância ou equivalência.
Sintonia é, portanto, um fenômeno de harmonia psíquica, funcionando naturalmente, a base de vibrações.
Duas pessoas sintonizadas estarão, evidentemente, com as mentes perfeitamente entrosadas, havendo, entre elas, uma ponte magnética a vinculá-las, imantando-as profundamente.
Estarão respirando na mesma faixa, intimamente associadas:

Sintonia,
Ressonância,
Vibrações
compensadas
Sábios
Ideais superiores, Assuntos transcendentes
Ciência, filosofia, religião, etc.
Índios
Objetivos vulgares, Assuntos triviais
Caça, lutas, pesca, presentes, etc.
Árvores
maior vitalidade melhor produção
Permuta dos princípios germinativos, quando colocadas entre companheiras da mesma espécie
Quanto mais evoluído o ser, mais acelerado o estado vibratório.
Assim sendo, em face das constantes modificações vibratórias verificar-se-á sempre, em todos os comunicados, o imperativo da redução ou do aumento das vibrações para que eles se dêem com maior fidelidade.
Se esta lei de afinidade comanda inteiramente os fenômenos psíquicos, não há dificuldade em se compreender porque as entidades luminosas ou iluminadas são compelidas a reduzir o seu tom vibratório a fim de, tornando mais densos os seus perispíritos, poderem ser observadas pelos Espíritos menos evolvidos. Do mesmo modo, graduam o pensamento e densificam o perispírito, quando desejam transmitir as comunicações, inspirar os dirigentes de trabalhos mediúnicos ou os pregadores e expositores do Evangelho e da Doutrina.

André Luiz em Nos Domínios Da Mediunidade (cap V) descreve:
"Nesse instante, o irmão Clementino pousou a destra na fronte do amigo que comandava a assembléia, mostrando-se-nos mais humanizado, quase obscuro”.
O benfeitor espiritual, que ora nos dirige - acentuou nosso instrutor - afigura-se-nos mais pesado porque amorteceu o elevado tom vibratório em que respira habitualmente, descendo a posição de Raul, tanto quanto lhe é possível, para benefício do trabalho começante.”

Léon Denis afirma:
“...o Espírito, libertado pela morte, se impregna de matéria sutil e atenua suas radiações próprias, a fim de entrar em uníssono com o médium”.

Conclui-se, das palavras do filósofo francês, que os Espíritos dispõem de recursos para reduzir ou elevar o tom vibratório, da seguinte forma;
a)  Para reduzir o seu próprio padrão vibratório, o Espírito superior impregna-se de matéria sutil colhida no próprio ambiente.
b)        Para elevar o tom vibratório do médium, o Espírito encontra na própria concentração ou transe, daquele, os meios de ativar as vibrações

AutoraVólia Loureiro do Amaral Lima
(continua na próxima postagem)

Mecanismos das Comunicações - 1ª Parte

7.1 Introdução

“A mente permanece na base de todos os fenômenos mediúnicos”.
“Em mediunidade não podemos olvidar o problema da sintonia”.
“No socorro espiritual, os benfeitores e amigos das esferas superiores, tanto quanto os companheiros encarnados, quais o diretor da reunião e seus assessores que manejam o verbo educativo, funcionam lembrando autoridades competentes no trabalho curativo, mas o médium é o enfermo convidado a controlar o doente, quanto lhe seja possível, impedindo, a este último, manifestações tumultuárias e palavras obscenas”.

7.2 Processo mental

Para que um Espírito se comunique é mister se estabeleça a sintonia da mente encarnada com a desencarnada.
Esse mecanismo das comunicações espíritas, mecanismo básico que se desdobra, todavia, em nuanças infinitas, de acordo com o tipo de mediunidade, estado psíquico dos agentes - ativo e passivo - valores espirituais, etc.
Sintonizando o comunicante com o medianeiro, o pensamento do primeiro se exterioriza através do campo físico do segundo, em forma de mensagem grafada ou audível.
Na incorporação (psicofonia), o médium “cede” as estruturas necessárias do corpo ao comunicante, mas, de acordo com os seus próprios recursos, pode comandar a comunicação, fiscalizando os pensamentos, disciplinando os gestos e controlando o vocabulário do Espírito.
O pensamento do Espírito, antes de chegar ao cérebro físico do médium, passa pelo cérebro perispirítico, resultando disso a propriedade que tem o medianeiro, em tese, de fazer ou não fazer o que entidade pretende.


AutoraVólia Loureiro do Amaral Lima 
(continua na próxima postagem)

Concentração – Noções Gerais


Em Nos Domínios da Mediunidade o Instrutor Albério esclarece André Luiz: “Precisamos considerar que a mente permanece na base de todos os fenômenos mediúnicos...”. É através da mente que se manifestam os valores adquiridos pelo Espírito, as experiências acumuladas, as virtudes, os conhecimentos, os defeitos, os dramas vividos, as afeições, o rancor, a bondade, o ressentimento, a compreensão, a vingança, a alegria, a tristeza, o amor e o ódio. Todas estas características intrínsecas do Espírito exteriorizam-se através da mente, definindo o grau de evolução em que se encontra e a faixa vibratória em que se vive.
Deus fez o homem para viver em sociedade. Ninguém possui faculdades completas - somente pela união social é que elas se completam, pela convivência de umas com as outras. Dependemos dos nossos semelhantes, e constantemente agimos e reagimos uns sobre os outros. Estabelecemos laços, formamos grupos e nos influenciamos mutuamente. A natureza dos nossos pensamentos, as nossas aspirações, o nosso sistema de vida, a se expressarem através de atos, palavras e pensamentos, determinam a qualidade dos Espíritos que, pela lei de afinidades, serão compelidos a sintonizarem conosco nas tarefas cotidianas e, especificamente, nas práticas mediúnicas.
No (LM: 21, 232) somos alertados:
“Fora erro acreditar alguém que precisa ser médium para atrair a si os seres do mundo invisível. Eles povoam o espaço; temo-los incessantemente em torno de nós, intervindo em nossas reuniões, seguindo-nos ou evitando-nos, conforme os atraímos ou repelimos, A faculdade mediúnica em nada influi para isto: ela mais não é do que um meio de comunicação.”
Por isso a afirmativa: Mediunidade não basta só por si. O importante é a utilização que fazemos da faculdade.
Existe um estado da mente em que ela se atém àquilo que a atrai naturalmente ou para o que ela se propõe a fazer. Estado este que chamamos concentração. Este estado mental é alcançado de duas formas:
a)  Espontânea - inconsciente, involuntária;
b)  Programada - fruto de esforço e de exercício continuado, tendo em vista um objetivo (adaptação psíquica).
No caso do médium, o conhecimento deste mecanismo é fundamental. É através desta atitude mental que se abrirão as portas que permitem o trânsito do plano físico para o espiritual e vice-versa, ou seja, é um estado mental de predisposição perceptiva de outras condições vibracionais que não sejam as dos sentidos físicos.
Pode-se utilizar alguns métodos que facilitam alcançar este estado. Através de exercícios respiratórios, de música, de leituras edificantes, com a predisposição a um relaxamento físico e mental. Físico, em relação à musculatura do corpo físico; mental, em relação à abstração dos problemas que não dizem respeito à finalidade do momento.
Na concentração o médium cria um campo em torno de si, que exerce influência sobre si próprio. Emite vibrações que se estendem pelos espaços e, por um processo natural de sintonia, atuam em outras mentes que lhe são equivalentes, estabelecendo-se uma ligação com estas mentes.
O improviso nesta atividade mental, a invigilância, a falta de Evangelho, a ociosidade mental e física irá provocar o cansaço psíquico, a inquietação em decorrência da instabilidade de pensamentos, a polivalência de idéias. Por isso é necessário uma constante preparação íntima, conseguida através da prece, de leituras salutares, do cultivo de pensamentos equilibrados, do trabalho no bem e dos cuidados com a saúde física.

AutoraVólia Loureiro do Amaral Lima 
REFERÊNCIAS
1)        Kardec, A. O Livro dos Médiuns.
2)        Xavier, F. C./Luis, A. Nos Domínios da Mediunidade.

O Pensamento: Ideoplastia e Criações Fluídicas - 2ª Parte

(Continuação da postagem anterior)

5.4 O Pensamento

A ciência espírita nos ensina que a ordem realmente nasce na vontade do Espírito que, por uma "vibração nervosa", faz vibrar certa região de nosso cérebro perispiritual e este emite outra "vibração nervosa" que faz a área correspondente no cérebro físico emitir uma ordem ao órgão efetor do corpo físico.
Ou seja, quem realmente responde ao estímulo do meio é o Espírito, e a resposta ganha o corpo físico através do perispírito. O Espírito pensa e manda, o perispírito transmite e o corpo físico materialmente responde. No exemplo que citamos o Espírito, ao ouvir a mensagem ou a música, responde ao estímulo, após julgá-lo utilizando-se de todo seu patrimônio moral e intelectual, adquirido em reencarnações sucessivas, explicando assim a resposta diferente de dois Espíritos ao mesmo estímulo. Ou seja, ocorre na matéria a exteriorização de tudo aquilo que existe no Espírito como um todo. Albert Einstein afirmava que todos nós vivemos em um Universo de energias, que a matéria é, na verdade, a apresentação momentânea da energia, como a água, pode apresentar-se em seus três estados (sólido, líquido e gasoso).
O sábio cientista nos ensinou que toda fonte de energia propaga sua influência no Universo através de ondas (ex.: fonte de calor com ondas de calor, fonte sonora com ondas sonoras, fonte luminosa como ondas de luz, etc.), e que esta influência vai até ao infinito. Ao campo de influência, existente ao redor de toda fonte de energia (matéria), a Ciência deu o nome de "Campo de Influência de Einstein". Se analisarmos o campo de influência de uma fonte de energia, vamos conseguir deduzir aspectos importantes desta fonte, mesmo sem conhecê-la diretamente (o estudo feito pelos astrônomos com a irradiação emitida das estrelas). Cada fonte de energia tem o seu campo de influência próprio.
Quando o Espírito pensa, estando encarnado ou não, pois como vimos, quem pensa é o Espírito e não o cérebro físico, ele funciona como uma fonte de energia, criando as ondas mentais (partículas mentais) gerando em torno de si o Campo de Influência da Mente Humana, conhecido com o nome de hálito mental, como nos ensina o autor espiritual André Luiz. Como cada um de nós pensa de acordo com o seu patrimônio intelecto-moral, emitimos ondas mentais diferentes, ou seja, cada um de nós tem o seu Hálito Mental próprio - Hálito Mental Individual. Projetamos constantemente uma vibração nas partículas que compõem nosso perispírito de acordo com a nossa evolução (cor, cheiro, sensação agradável ou desagradável e alguém que se aproxima de nós etc.).
A espiritualidade nos ensina que um grupo de Espíritos (encarnados ou desencarnados) que pensa da mesma forma (evolução semelhante) forma um Hálito Mental de um Grupo, Hálito Mental de uma Coletividade.
Como vimos, a energia de uma fonte se propaga através de ondas. A Física nos ensina que o que diferencia uma onda de outra, são suas características físicas como: amplitude, freqüência, comprimento etc. Assim, uma onda seria luminosa, outra de calor, outra sonora, outra mental, segundo estas características físicas. Para simplificarmos a análise, utilizaremos apenas a freqüência de uma onda, ou seja, o número de ciclos em determinado tempo (ciclos por segundo). Assim teríamos ondas de alta, média e baixa freqüência por exemplo. A física nos ensina que o campo de influência das ondas que esta fonte emite (ex.: emissoras de rádio que emitem ondas de mais elevada freqüência atingem maior distância de seu sinal). A espiritualidade nos ensina que esta lei é obedecida na Ciência espiritual, ou seja, quanto mais evoluído moralmente é o Espírito (encarnado ou desencarnado) mais alta a freqüência de suas ondas mentais. Assim Espíritos muito evoluídos emitem ondas de altíssima freqüência (maior o seu campo de influência) e Espíritos pouco evoluídos ondas de baixa freqüência (menor o campo de influência). Assim, obedecendo a uma lei física, podemos afirmar que o poder de influência do Bem é muito maior do que do Mal.
A Física da Terra nos ensina que fontes que emitem ondas de freqüências iguais se atraem e fontes que emitem ondas de freqüência diferentes se repelem. Assim também ocorre com o Espírito, esteja ele encarnado ou não. O local (dimensão) do Universo onde Espíritos que emitem o mesmo tipo de HÁLITO MENTAL se encontram recebe o nome de FAIXA VIBRATÓRIA, ou FAIXA DE PENSAMENTO, ou FAIXA DE INFLUÊNCIA. Quando se acha em uma faixa vibratória, o Espírito que aí está atrai e é atraído para esta faixa, ou seja, alimenta e é alimentado dos sentimentos dessa faixa de pensamentos ou de sentimentos. Devemos nos burilar, no sentido de sempre estarmos em faixas vibratórias mais evoluídas; tudo depende dos sentimentos (ondas) que criamos diuturnamente.

5.5 Ideoplastia


Ideoplastia - palavra de origem grega que trata do estudo das formas através do pensamento. Na literatura espírita, também podemos encontrar outras designações com o mesmo significado: criações fluídicas, formas-pensamento, imagens fluídicas, ou, ainda, construções mentais. Sendo os fluidos espirituais a atmosfera dos seres espirituais, os Espíritos tiram desse elemento os materiais sobre os quais operam; é nesse meio que ocorrem os fenômenos perceptíveis a sua visão e a sua audição.

5.5.1 Mecanismo e duração

Os Espíritos atuam sobre os fluidos espirituais (forma de manifestação do fluido cósmico universal) empregando o pensamento e a vontade, seus principais instrumentos de ação. Por este mecanismo, eles podem imprimir aos fluidos, direção, pode lhes aglomerar, combinar, dispersar, organizar, podendo também, mudar-lhes as propriedades. É dessa forma que as águas podem ser fluidificadas, adquirindo certas qualidades curadoras.
O pensamento reflete-se no perispírito, que é sua base e meio de ação; e reproduz todos os movimentos e matizes. Na medida em que o pensamento se faz, instantaneamente o campo mental retrata as formas criadas, deixando de existir tão logo o mesmo pensamento cesse de agir naquele sentido.
Para o Espírito que é, também ele, fluídico, todas as criações mentais são tão reais como eram no estado material quando encarnado; mas, pela razão de serem fruto do pensamento, sua existência é tão fugidia quanto a deste. O pensamento pode materializar-se criando formas de longa duração conforme a persistência da onda em que se expressa.

5.5.2 Classificação


As construções mentais podem resultar de uma intenção (voluntária) ou de um pensamento inconsciente (involuntária). Basta que o Espírito pense numa coisa para que esta se reproduza. Tenha um homem, por exemplo, a idéia de matar a outro, embora o corpo material se lhe conserve impassível, seu corpo fluídico (campo mental) é posto em ação pelo pensamento e reproduz todos os matizes deste último; executa fluidicamente o gesto. A imagem da vítima é criada e a cena toda é pintada, como num quadro, tal qual se lhe desenrola na mente.
Isto permite entender por que todo e qualquer pensamento pode tornar-se conhecido: por evidenciar-se no campo mental, e pode ser percebido por outros Espíritos, encarnados ou desencarnados, que estejam vibrando em sintonia, mas, é importante considerar que o que realmente é visto pelo observador é a intenção. Sua execução, todavia, vai depender da persistência de propósitos, de circunstâncias que a favoreçam. Modificadas as intenções, os planos também sofrerão mudanças.
As criações fluídicas inconscientes retratam as preocupações habituais do indivíduo, seus desejos, seus projetos, seus anseios, seus propósitos bons ou maus. Elas surgem e se desfazem alternadamente. As idéias, as lembranças vividas, em nível inconsciente, também gravitam em torno de quem as elabora.
As criações fluídicas, que são fruto de uma intenção, são programadas com um objetivo específico. Podem ser promovidas por mentores espirituais ou obsessores. A técnica utilizada, tanto por Espíritos bons quanto por Espíritos inferiores, é a mesma.
Os mentores espirituais atiram as lembranças construtivas e plasmam quadros superiores que irão gerar renovação e força, equilíbrio, serenidade e confiança em Deus. Durante o passe, enquanto a pessoa se encontra predisposta, mais eficazmente as construções superiores são registradas.

5.5.3 Zooantropia (Licantropia)

Alguns Espíritos podem mostrar-se com a forma semelhante a de determinados animais. São chamados fenômenos de zooantropia. Nestes casos, é utilizado o poder hipnótico/magnético de uma mente mais poderosa sobre a outra. A gênese de tais fenômenos encontra-se na consciência culpada da vítima e, a base de ação, nos elementos plásticos do seu perispírito. Os obsessores aproveitam sempre a idéia traumatizante, o sentimento de culpa ou o rebaixamento moral voluntário, explorando deslizes presentes ou passados, bem como a ignorância dos incautos.

5.6 Recursos ideoplásticos nas reuniões mediúnicas


Em cada reunião espírita, orientada com segurança, existem Espíritos prestativos e operantes, eficientes e unidos que manipulam a matéria mental necessária à formação de quadros educativos. São recursos imprescindíveis à criação de formas-pensamento, com vistas ao auxílio da sensibilização e à transformação dos companheiros em sofrimento e em desequilíbrio que se manifestam.
Para se recuperarem, é indispensável que recebam o concurso de imagens vivas sobre as impressões vagas e descontínuas a que se recolhem. Esses operadores agem com precedência, consultando-lhes as reminiscências, observando-lhes o pretérito e anotando-lhes os labirintos psicológicos, a fim de que nos santuários mediúnicos, sejam conduzidos a metamorfoses mentais, imprescindíveis à vitória do bem.
Assim, formam-se jardins, templos, fontes, hospitais, escolas, oficinas, lares e quadros outros em que os Espíritos comunicantes sintam-se como que tornando à realidade pregressa, através da qual põem-se mais facilmente ao encontro da realidade espiritual, sensibilizando-se nas fileiras mais íntimas. Pelo mesmo processo são-lhes revitalizadas a visão, a audição, a memória, o tato e a organização de seu perispírito.
Importante: pelos mesmos recursos ideoplásticos são criados quadros para ajudar a mente dos encarnados que operam na obra assistencial dentro do Evangelho de Jesus. Para isso, é necessário oferecer o melhor material dos nossos pensamentos, palavras e atitudes. Toda cautela é recomendável no esforço preparatório de uma reunião espírita para socorro a desencarnados menos felizes, mesmo quando não sejamos portadores de maiores possibilidades; através da oração convertamo-nos em canais de auxílio, apesar da precariedade dos nossos recursos. É imprescindível tranquilidade, carinho, compreensão e amor para que a programação dos companheiros espirituais encontre em nós base segura na sua realização.
O homem é a sua vida mental. Aquele que se compraz na aceitação da própria decadência acaba na posição de excelente incubador de bactérias e sintomas mórbidos. Quanto mais largo é o vôo, mais radiosas as claridades, mais inebriantes as alegrias sentidas, mais poderosas as forças adquiridas, maiores possibilidades de ajuda.

AutoraVólia Loureiro do Amaral Lima

REFERÊNCIAS
1)         Kardec, A. O Livro dos Espíritos.
2)        Kardec, A. O Livro dos Médiuns.
3)        Kardec, A. A Gênese.
4)        Xavier, F. C./Luis, A. Mecanismos da Mediunidade.
5)        Teixeira, J. R./Camilo.  Correnteza de Luz.
6)        Jorge, J. Antologia do Perispírito.
7)        Xavier, F. C./Luis, A. Mecanismos da Mediunidade.
8)        Xavier, F. C./Luis, A. Libertação.
9)        Xavier, F. C.; Vieira, W./Luis, A. Sexo e Destino.
10)      Xavier, F. C./Luis, A. No Mundo Maior.
11)      Caprio, F. S. Ajuda-te pela Psiquiatria. IBRASA, 1959.

O Pensamento: Ideoplastia e Criações Fluídicas - 1ª Parte

5.1 Introdução

O Princípio Inteligente (PI), através de sua longa viagem pelos Reinos da Natureza, foi desenvolvendo características e aptidões importantes e indispensáveis para a sua evolução. Funções rudimentares e simples se transformaram, com o passar do tempo, em funções cada vez mais especializadas e complexas. Da função desenvolvida por uma única organela celular tivemos o aparecimento de maravilhosos e competentes aparelhos e sistemas orgânicos. Tudo isso exigiu um controle eficiente e preciso; assim o PI foi desenvolvendo simultaneamente o sistema nervoso, para desempenhar esta tarefa. Após milênios, de evolução estava pronto o espetacular órgão do corpo humano, o cérebro, que passou a ser o dirigente e o gerente de cada repartição do corpo físico do homem.

5.2 O Cérebro

Ao nascimento, o cérebro humano pesa aproximadamente 500 gramas e possui cerca de 100 milhões de neurônios (células nervosas). No adulto o cérebro pesa aproximadamente 1500 gramas e tem também cerca de 100 milhões de neurônios. Sabe-se que a partir do nascimento, o homem vai desenvolvendo cada vez mais as suas aptidões, e este desenvolvimento, como vêem, não decorre da multiplicação das células nervosas. Hoje sabe-se que este fato se dá pelo aumento crescente da união entre estas células, ou seja, de sinapses nervosas (nome que a Ciência dá à união entre as células nervosas).
Assim, o que diferencia o cérebro de uma criança do cérebro de um adulto é o número de sinapses nervosas. A Ciência atual aceita que a maior ou menor aptidão cerebral, se deve ao maior ou menor número de sinapses nervosas. Pode-se também estender estes conhecimentos aos animais, diferenciando-os em aptidões de acordo com o número de sinapses nervosas.
O que é muito interessante, é que o fator determinante para se ter mais ou menos sinapses é diretamente proporcional ao exercício e ao estímulo constante ao sistema nervoso, e também, que essa capacidade de formar sinapses, ao contrário que muitos pensam, é a mesma do nascimento ao túmulo, ou seja, independe da idade do indivíduo demonstrando cientificamente que, realmente, nunca é tarde para estudar e aprender.
Qualquer atividade nossa é comandada pelo cérebro, desde as mais simples, como o piscar dos olhos, até as mais complexas como escrever, falar etc.
Se acompanharmos a evolução do PI, observa-se que as aptidões após serem conquistadas, são armazenadas como patrimônio eterno do ser. À medida que aptidões mais complexas se desenvolvem, as mais simples passam ao controle do inconsciente (automatismo). Pode-se assim dizer que: o cérebro comanda o nosso corpo físico utilizando-se de ordens conscientes (falar, escrever, andar, etc.) e ordens inconscientes (piscar os olhos, bater o coração, respirar etc.).
A Ciência da Terra consegue explicar como ocorrem as alterações cerebrais diante de um estímulo, qual a área do cérebro responsável pelo controle de certa função orgânica, explica como a ordem, partindo do cérebro, atinge o órgão efetor. A Ciência terrena se perde quando não consegue entender o motivo pelo qual, a um mesmo estímulo, duas pessoas respondem de forma tão diferente em certas circunstâncias. Por que duas pessoas ao ouvirem uma mensagem ou uma música, uma chega às lágrimas, enquanto a outra se mostra indiferente.
Para se entender este aspecto, recorre-se à ciência não convencional. O Espiritismo nos explica este fato com clareza.
Nós espíritas sabemos a diferença entre um Espírito encarnado e outro Espírito desencarnado, e entre outras coisas, que o encarnado por precisar atuar sobre a matéria densa, necessita do corpo físico. A Doutrina Espírita nos ensina que o corpo físico desde o momento da concepção é formado tendo como molde o perispírito. Nosso corpo físico é uma cópia de nosso corpo perispiritual (réplica rudimentar). Guardando certos limites, pode-se afirmar que o cérebro humano é uma réplica do cérebro perispiritual, e que este cérebro físico seria rudimentar quando comparado ao cérebro perispiritual, pois nem todas as características são passadas ao corpo físico, mas apenas as possíveis e necessárias a cada reencarnação. Seriam dois computadores de gerações diferentes.

5.3 A casa mental

Precisamos avaliar corretamente a natureza dos nossos instintos e apetites básicos, condicionamentos, a fim de que, melhor equipados, possamos controlá-los.
O mundo, neste particular, está em débito para com Sigmund Freud, o descobridor da Psicanálise, em virtude de ter sido ele o primeiro homem a passar a mente humana pelos raios X com êxito, descrevendo seus complicados trabalhos.
De acordo com sua teoria, a mente está dividida em três partes:
1)  O inconsciente;
2)  O subconsciente;
3)  A consciência.
Freud deu a estas três partes da mente nomes técnicos específicos, chamando: O inconsciente de ID; o consciente de EGO e a consciência de superego.

 - A casa construída por Freud

Se fizermos uma idéia de que a mente é uma pequena casa, poderíamos chamar o inconsciente de porão - andar subterrâneo; o consciente de andar principal, parte da casa onde realmente vivemos e nos entretemos, e a consciência - censor moral, a polícia, seria o sótão.
É lógico presumirmos que o porão não é tão limpo ou não está tão em ordem como a parte de cima. Na maioria das casas o porão torna-se um lugar para despejo, onde se armazena quantidade de velharias e, ao mesmo tempo, onde se localiza o sistema de abastecimento de toda a casa.

 - O sistema nervoso é a casa de Freud

No sistema nervoso, temos o cérebro inicial, repositório dos movimentos instintivos e sede das atividades subconscientes; figuremo-lo como sendo o porão de sua individualidade, onde arquivamos todas as experiências e registramos os menores fatos da vida. Na região do córtex motor, zona intermediária entre os lobos frontais e os nervos, temos o cérebro desenvolvido, consubstanciando as energias motoras de que se serve a nossa mente para as manifestações imprescindíveis no atual momento evolutivo do nosso modo de ser.
Nos planos dos lobos frontais, silenciosos ainda para a investigação científica do mundo, jazem materiais de ordem sublime, que conquistaremos gradualmente, no esforço de ascensão, representando a parte mais nobre de nosso organismo divino em evolução.
Não podemos dizer que possuímos três cérebros simultaneamente. Temos apenas um que, porém, se divide em três regiões distintas. Tomemo-lo como se fora um castelo de três andares; no primeiro situamos a “residência de nossos impulsos automáticos”, simbolizando o sumário vivo dos serviços realizados; no segundo localizamos o “domicílio das conquistas atuais”, onde se erguem e se consolidam as qualidades nobres que estamos edificando; no terceiro, temos “a casa das noções superiores”, indicando as eminências que nos cumpre atingir.

(Segue na próxima postagem)

AutoraVólia Loureiro do Amaral Lima