7.4 Responsabilidade do médium nas comunicações
Comumente
o médium se deixa sugestionar pelos Espíritos rebeldes ou menos esclarecidos e
sob a sua influência, extravasam no campo físico, suas impressões de desequilíbrio
de que o comunicante se faz portador.
Isto
se verifica quase sempre com o médium que ignora a sua responsabilidade na
manifestação mediúnica, quando não o faz julgando que a “encenação” provocada
pelo irmão sofredor é indício de autenticidade da “incorporação” do Espírito.
Qualquer
que seja o motivo que leva o médium a permitir este excesso, sem qualquer
controle de sua parte, denota que ele, embora detentor de faculdades psíquicas,
ainda não se compenetrou de suas responsabilidades e não se dedica ao estudo
doutrinário e aperfeiçoamento evangélico, indispensáveis ao melhor desempenho
de sua tarefa.
Quanto à
conduta do médium, André Luiz nos recomenda:
“Controlar as manifestações mediúnicas que
veicula, reprimindo, quanto possível, respiração ofegante, gemidos, gritos e
contorções, batimento de mãos e pés ou quaisquer gestos violentos”.
“O medianeiro será
sempre o responsável direto pela mensagem de que se faz portador.”(Xavier, F.
C./Luis, A. Conduta Espírita. Cap IV).
Conscientes
de que o pensamento do Espírito, antes de chegar ao cérebro do médium, passa
pelo seu cérebro perispirítico, fácil compreender que o médium pode e deve
“policiar” as sugestões do comunicante, permitindo que seja externado apenas o
necessário para o esclarecimento e orientação do Espírito, por parte do
dirigente da reunião.
É
compreensível que o Espírito em desequilíbrio, sugira ao médium: gritos, contorções,
batimentos de mãos e pés ou outros gestos violentos, no entanto, cabe ao medianeiro,
opor a estas sugestões, atitudes moderadas e equilibradas, as quais, coibindo a
violência do comunicante, funcionam à guisa de alerta para o próprio Espírito,
facilitando assim o esforço para sua orientação.
Por
isso, em uma mesma reunião, com um mesmo Espírito se comunicando através de
dois médiuns distintos, pode se verificar o seguinte:
Encontra-se
no primeiro médium um instrumento afim com o seu estado íntimo, não só dará
expansão as suas atitudes menos edificantes quanto, dificilmente assimilará os
recursos esclarecedores que o dirigente busque lhe endereçar. Se, ao contrário,
aproxima-se de um médium espiritualizado, à sua simples aproximação, já é
auxiliado, pois este irradia, naturalmente, vibrações de paz e harmonia com que
o envolve beneficamente. A tarefa do dirigente, nesse caso, é grandemente
facilitada pela condição íntima do médium.
Lembremos
mais uma vez André Luiz:
“Ainda
mesmo um médium absolutamente sonâmbulo, incapaz de guardar lembranças
posteriores ao socorro efetuado, semi-desligado de seus implementos físicos,
dispõe de recursos para governar os sentidos corpóreos de que o Espírito
comunicante se utiliza, capacitando-se, por isso, com o auxílio dos instrutores
espirituais, a controlar devidamente as manifestações.
Não
se diga que isso é impossível. Desobsessão é obra de reequilíbrio, refazimento,
nunca de agitação e teatralidade.
Nesse
sentido, vale recordar que há médium de incorporação normal, e médium ainda
obsidiado. E, sempre que o médium, dessa ou daquela espécie, se mostre
obsidiado, necessita de socorro espiritual, através de esclarecimento,
emparelhando-se com as entidades perturbadas carentes de auxílio.
Realmente,
em casos determinados, o medianeiro da psicofonia não pode governar todos os
impulsos destrambelhados da inteligência desencarnada que se comunica na
reunião, como nem sempre o enfermeiro logra impedir todas as extravagâncias da
pessoa acamada; contudo, mesmo nessas ocasiões especiais, o médium integrado em
suas responsabilidades dispõe de recursos para cooperar no socorro espiritual
em andamento, reduzindo as inconveniências ao mínimo.” (Xavier, F. C.; Vieira,
W./Luis, A. Desobsessão. Cap 43).
Encerramos
com Martins Peralva, concitando-nos à auto-evangelização:
“Os
médiuns, portanto, que desejam, sinceramente, enriquecer o coração com tesouros
da fé, a fim de ampliarem os recursos de servir ao Mestre na seara do bem, não
podem nem devem perder de vista o fator auto-aperfeiçoamento”.(Peralva, N. Estudando
a Mediunidade. Cap IV).
Não
podem, de forma alguma, deixar de nutrirem-se com o alimento evangélico, tornando-se
humildes e bons, devotados e convictos, a fim de que os modestos encargos
mediúnicos de hoje sejam, amanhã, transformados em sublimes e redentoras
tarefas, sob o augusto patrocínio do Divino Mestre, que nos afirmou ser o “Pão
da Vida” e a “Luz do Mundo”.
Abnegação
por perseverança, no trabalho mediúnico, mantém o servidor em condições de
sintonizar, de modo permanente, com Espíritos Superiores, permutando, assim,
com as forças do bem as divinas vibrações do amor e da sabedoria.
Estabelecida,
pois, esta comunhão do medianeiro com os prepostos do senhor, a prática
mediúnica se constituirá, com reais benefícios para o médium e o agrupamento
onde serve, legítima sementeira de fraternidade e socorro.
Autora: Vólia Loureiro do Amaral Lima
REFERÊNCIAS
1) Xavier, F. C./Luis, A Nos Domínios Da Mediunidade. 2.
ed. FEB.
2) Peralva, M. Estudando a Mediunidade.4. ed. FEB.
3) Xavier, F. C./Luis, A. Desobsessão. 1. ed. FEB.
2) Peralva, M. Estudando a Mediunidade.4. ed. FEB.
3) Xavier, F. C./Luis, A. Desobsessão. 1. ed. FEB.
4) Xavier, F. C./Luis, A. Conduta Espírita. 1.
ed. FEB.
5) Xavier, F. C./Luis, A. No Mundo
Maior. FEB, 1962.
6) Novo
Testamento. Mateus, 26:41
7) Almeida Jr. Elementos de Anatomia e Fisiologia Humanas. Nacional, 1958.
8) Orieux, M.; Everaere, M.; Leite, João d’Andrade. O Homem. Liceu, 1967.
9) Kahn, Fritz. O Corpo Humano. Civilização Brasileira, 1962.
7) Almeida Jr. Elementos de Anatomia e Fisiologia Humanas. Nacional, 1958.
8) Orieux, M.; Everaere, M.; Leite, João d’Andrade. O Homem. Liceu, 1967.


