segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Mecanismos das Comunicações - 3ª Parte

(Continuação da postagem anterior)

7.4 Responsabilidade do médium nas comunicações

Comumente o médium se deixa sugestionar pelos Espíritos rebeldes ou menos esclarecidos e sob a sua influência, extravasam no campo físico, suas impressões de desequilíbrio de que o comunicante se faz portador.
Isto se verifica quase sempre com o médium que ignora a sua responsabilidade na manifestação mediúnica, quando não o faz julgando que a “encenação” provocada pelo irmão sofredor é indício de autenticidade da “incorporação” do Espírito.
Qualquer que seja o motivo que leva o médium a permitir este excesso, sem qualquer controle de sua parte, denota que ele, embora detentor de faculdades psíquicas, ainda não se compenetrou de suas responsabilidades e não se dedica ao estudo doutrinário e aperfeiçoamento evangélico, indispensáveis ao melhor desempenho de sua tarefa.
Quanto à conduta do médium, André Luiz nos recomenda:
“Controlar as manifestações mediúnicas que veicula, reprimindo, quanto possível, respiração ofegante, gemidos, gritos e contorções, batimento de mãos e pés ou quaisquer gestos violentos”.
“O medianeiro será sempre o responsável direto pela mensagem de que se faz portador.”(Xavier, F. C./Luis, A. Conduta Espírita. Cap IV).

Conscientes de que o pensamento do Espírito, antes de chegar ao cérebro do médium, passa pelo seu cérebro perispirítico, fácil compreender que o médium pode e deve “policiar” as sugestões do comunicante, permitindo que seja externado apenas o necessário para o esclarecimento e orientação do Espírito, por parte do dirigente da reunião.
É compreensível que o Espírito em desequilíbrio, sugira ao médium: gritos, contorções, batimentos de mãos e pés ou outros gestos violentos, no entanto, cabe ao medianeiro, opor a estas sugestões, atitudes moderadas e equilibradas, as quais, coibindo a violência do comunicante, funcionam à guisa de alerta para o próprio Espírito, facilitando assim o esforço para sua orientação.
Por isso, em uma mesma reunião, com um mesmo Espírito se comunicando através de dois médiuns distintos, pode se verificar o seguinte:
Encontra-se no primeiro médium um instrumento afim com o seu estado íntimo, não só dará expansão as suas atitudes menos edificantes quanto, dificilmente assimilará os recursos esclarecedores que o dirigente busque lhe endereçar. Se, ao contrário, aproxima-se de um médium espiritualizado, à sua simples aproximação, já é auxiliado, pois este irradia, naturalmente, vibrações de paz e harmonia com que o envolve beneficamente. A tarefa do dirigente, nesse caso, é grandemente facilitada pela condição íntima do médium.
Lembremos mais uma vez André Luiz:
“Ainda mesmo um médium absolutamente sonâmbulo, incapaz de guardar lembranças posteriores ao socorro efetuado, semi-desligado de seus implementos físicos, dispõe de recursos para governar os sentidos corpóreos de que o Espírito comunicante se utiliza, capacitando-se, por isso, com o auxílio dos instrutores espirituais, a controlar devidamente as manifestações.
Não se diga que isso é impossível. Desobsessão é obra de reequilíbrio, refazimento, nunca de agitação e teatralidade.
Nesse sentido, vale recordar que há médium de incorporação normal, e médium ainda obsidiado. E, sempre que o médium, dessa ou daquela espécie, se mostre obsidiado, necessita de socorro espiritual, através de esclarecimento, emparelhando-se com as entidades perturbadas carentes de auxílio.
Realmente, em casos determinados, o medianeiro da psicofonia não pode governar todos os impulsos destrambelhados da inteligência desencarnada que se comunica na reunião, como nem sempre o enfermeiro logra impedir todas as extravagâncias da pessoa acamada; contudo, mesmo nessas ocasiões especiais, o médium integrado em suas responsabilidades dispõe de recursos para cooperar no socorro espiritual em andamento, reduzindo as inconveniências ao mínimo.” (Xavier, F. C.; Vieira, W./Luis, A. Desobsessão. Cap 43).

Encerramos com Martins Peralva, concitando-nos à auto-evangelização:
“Os médiuns, portanto, que desejam, sinceramente, enriquecer o coração com tesouros da fé, a fim de ampliarem os recursos de servir ao Mestre na seara do bem, não podem nem devem perder de vista o fator auto-aperfeiçoamento”.(Peralva, N. Estudando a Mediunidade. Cap IV).

Não podem, de forma alguma, deixar de nutrirem-se com o alimento evangélico, tornando-se humildes e bons, devotados e convictos, a fim de que os modestos encargos mediúnicos de hoje sejam, amanhã, transformados em sublimes e redentoras tarefas, sob o augusto patrocínio do Divino Mestre, que nos afirmou ser o “Pão da Vida” e a “Luz do Mundo”.
Abnegação por perseverança, no trabalho mediúnico, mantém o servidor em condições de sintonizar, de modo permanente, com Espíritos Superiores, permutando, assim, com as forças do bem as divinas vibrações do amor e da sabedoria.
Estabelecida, pois, esta comunhão do medianeiro com os prepostos do senhor, a prática mediúnica se constituirá, com reais benefícios para o médium e o agrupamento onde serve, legítima sementeira de fraternidade e socorro.

AutoraVólia Loureiro do Amaral Lima

REFERÊNCIAS

1) Xavier, F. C./Luis, A Nos Domínios Da Mediunidade. 2. ed. FEB.
2) Peralva, M. Estudando a Mediunidade.4. ed. FEB.
3) Xavier, F. C./Luis, A. Desobsessão. 1. ed. FEB.
4) Xavier, F. C./Luis, A. Conduta Espírita. 1. ed. FEB.
5) Xavier, F. C./Luis, A. No Mundo Maior. FEB, 1962.
6) Novo Testamento. Mateus, 26:41
7) Almeida Jr. Elementos de Anatomia e Fisiologia Humanas. Nacional, 1958.
8) Orieux, M.; Everaere, M.; Leite, João d’Andrade. O Homem. Liceu, 1967.
9) Kahn, Fritz. O Corpo Humano.  Civilização Brasileira, 1962.

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