“O desenvolvimento da
mediunidade guarda relação com o desenvolvimento moral dos médiuns?”
“R- Não; a faculdade propriamente dita
se radica no organismo; independe do moral. O mesmo, porém, não se dá com o seu
uso, que pode ser bom, ou mau, conforme as qualidades do médium”.
8.1
Afinidade
Se o
médium, do ponto de vista da execução, não passa de um instrumento, exerce,
todavia, influência muito grande, sob o aspecto moral. Pois que, para se
comunicar, o Espírito desencarnado se identifica com o Espírito do médium, esta
influência não se pode verificar, se não havendo, entre um e outro, simpatia e,
se assim é, lícito dizer-se, afinidade. A alma exerce sobre o espírito livre
uma espécie de atração, ou repulsão, conforme o grau de semelhança existente
entre eles. Ora, os bons têm afinidade com os bons e os maus com os maus, donde
se segue que as qualidades morais do médium exercem influência capital sobre a
natureza dos Espíritos que por ele se comunicam. Se o médium é vicioso, em
torno dele se vem grupar espíritos inferiores, sempre prontos a tomar lugar dos
bons Espíritos evocados. As qualidades que, de preferência, atraem os bons
Espíritos são: A bondade, a benevolência, a simplicidade do coração, o amor ao
próximo, o desprendimento das coisas materiais. Os defeitos que os afastam são:
O orgulho, o egoísmo, a inveja, o ciúme, o ódio, a cupidez, a sensualidade e
todas as paixões que escravizam o homem à matéria.
Todas as
imperfeições morais são outras tantas portas abertas ao acesso dos maus
Espíritos. A que, porém, eles exploram com mais habilidade é o orgulho, porque
é a que a criatura menos confessa a si mesma. O orgulho tem perdido muitos
médiuns dotados das mais belas faculdades e que, se não fora esta imperfeição,
teriam podido tornar-se instrumentos notáveis e muito úteis, ao passo que,
presas de Espíritos mentirosos, suas faculdades, depois de se haverem
pervertido, aniquilaram-se e mais de um se viu humilhado por amaríssimas
decepções.
A par
disso, ponha-se em evidência o quadro do médium verdadeiramente bom, daquele em
quem se pode confiar. Supor-lhe-emos, antes de tudo, uma grandíssima facilidade
de execução, que permita se comuniquem livremente os Espíritos, sem encontrarem
qualquer obstáculo material. Isto posto, o que mais importa considerar é de que
natureza são os Espíritos que habitualmente o assistem, para o que não se deve
ater aos nomes, porém à linguagem. Jamais deverá ele perder de vista que a simpatia,
que lhe dispensam os bons Espíritos, estará na razão direta de seus esforços
por afastar os maus. Persuadido de que a sua faculdade é um dom que só lhe foi
outorgado para o bem, de nenhum modo procura prevalecer-se dela, nem
apresentá-la como demonstração de mérito seu. Aceita as boas comunicações, que
lhe são transmitidas, como uma graça, de que lhe cumpre tornar-se cada vez mais
digno, pela sua bondade, pela sua benevolência e pela sua modéstia. O primeiro
se orgulha de suas relações com os Espíritos superiores; este outro se humilha,
por se considerar sempre abaixo desse favor.
8.2 Médium
perfeito
“Sempre se há
dito que a mediunidade é um dom de Deus, uma graça, um favor. Por que, então,
não constitui privilégio dos homens de bem e porque se vêem pessoas indignas
que a possuem no mais alto grau e que dela usam mal?”
“- Todas as
faculdades são favores pelos quais deve a criatura render graças a Deus, pois
que homens hão privados delas. Podereis igualmente perguntar porque concede
Deus vista magnífica a malfeitores, destreza a gatunos, eloquência aos que dela
se servem para dizer coisas nocivas. O mesmo se dá com a mediunidade.Se há
pessoas indignas que a possuem, é que disso precisam mais do que as outras,
para se melhorarem”.
“Os médiuns,
que fazem mau uso das suas faculdades, que não se servem delas para o bem, ou
que não as aproveitam para se instruírem, sofrerão as consequências dessa
falta?”
“- Se delas fizerem mau uso, serão
punidos duplamente, porque têm um meio de mais se esclarecerem e o não aproveitam.
Aquele que vê claro e tropeça é mais censurável do que o cego que cai no
fosso.”
“Há médiuns
aos quais, espontaneamente e quase constantemente, são dadas comunicações sobre
o mesmo assunto, sobre certas questões morais, por exemplo, sobre determinados
defeitos. Terá isso algum fim?”
“- Tem, e esse fim é
esclarecê-los de certos defeitos. Por isso é que uns falarão continuamente do
orgulho, a outros, da caridade. É que só a saciedade lhes poderá abrir, afinal,
os olhos. Não há médium que faça mau uso da sua faculdade, por ambição ou
interesse, que a comprometa por causa de um defeito capital, como o orgulho, o
egoísmo, a leviandade, etc. E que, de tempos a tempos, não receba admoestações
dos Espíritos. O pior é que as mais das vezes, eles não as tomam como dirigidas
a si próprias”.
“Será
absolutamente impossível as obtenham boas comunicações por um médium
imperfeito?”
“R- Um médium imperfeito pode algumas vezes obter boas coisas,
porque, se dispões de uma bela faculdade, não é raro que os bons Espíritos se
sirvam dele, à falta de outro, em circunstâncias especiais; porém, isso só
acontece momentaneamente, porquanto, desde que os Espíritos encontrem um que
mais lhe convenha, dão preferência a este”.
“Qual o médium
que se poderia qualificar de perfeito?”
“R- Perfeito, ah! Bem sabes que a perfeição não existe na Terra, sem
o que não estaríeis nela. Dize, portanto, bom médium, e já é muito, por isso
que eles são raros. Médium perfeito seria aquele contra o qual os maus
Espíritos jamais ousariam uma tentativa de enganá-lo. O melhor é aquele que,
simpatizando somente com bons Espíritos, tem sido o menos enganado”.
“Se ele só com
os bons Espíritos simpatiza, como permitem estes que seja enganado?”
“R- Os bons Espíritos permitem, às vezes, que isso aconteça com os
melhores médiuns, para lhes exercitar a ponderação e para lhes ensinar a
discernir o verdadeiro do falso. Depois, por muito bom que seja, um médium
jamais é tão perfeito, que não possa ser atacado por algum lado fraco, isso lhe
deve servir de lição. As falsas comunicações, que de tempos em tempos ele
recebe, são avisos para que não se considere infalível e não se ensoberbeça”.
“Quais as
condições necessárias para que a palavra dos Espíritos superiores nos chegue
isenta de qualquer alteração?”
“R- Querer o bem; repulsar o egoísmo e o orgulho. Ambas essas coisas
são necessárias”. (L.M)
8.3 Repelir
dez verdades a aceitar uma falsidade
Desde que uma opinião nova venha a ser
expedida, por pouco que vos pareça duvidosa, fazei-a passar pelo crivo da razão
e da lógica e rejeitai desassombradamente o que a razão e o bom senso
reprovarem. É melhor repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade,
uma só teoria errônea. Efetivamente, sobre essa teoria podereis edificar um
sistema completo, que desmoronaria ao primeiro sopro da verdade, como um monumento
edificado sobre a areia movediça, ao passo que, se rejeitardes hoje algumas
verdades, porque não vos são demonstradas claras e logicamente, mais tarde um
fato brutal ou uma demonstração irrefutável virá afirmar-vos a sua
autenticidade.”


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