segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Da Influência do Meio - 4ª Parte

9.2 Superações de obstáculos naturais

“Precisa, por outro lado (o médium), criar um ambiente doméstico favorável, pacífico, fugindo às discussões estéreis e desentendimentos, e sofrer as contrariedades inevitáveis com paciência e tolerância evangélicas.
Como pai, como irmão ou como filho, mas, sobretudo, como esposo, deve viver em seu lar como um exemplo vivo de pacificação, de acomodação, de conselho e de boa vontade. Não esqueça que, em sua qualidade de médium de prova, ainda não desenvolvido, ou melhor educado, representa sempre uma porta aberta a influências perniciosas de caráter inferior que, por seu intermédio, comumente atingem os indivíduos com quem convive.
E, quanto à sua vida social, deve exercer seus deveres com rigor e honestidade, guardando-se, porém, de se deixar contaminar pelas influências malévolas naturais dos meios em que se põem em contato indivíduos de toda espécie, sem homogeneidade de pensamentos, crenças, educação e sentimentos”.
“Na série de obstáculos que, em muitas ocasiões, parecem inteligentemente determinados a lhe entravarem o passo reponta os mais imprevistos contratempos à frente do servidor da desobsessão.
Uma criança cai, explodindo em choro...
Desaparece a chave de uma porta...
Um recado chega de imprevisto, suscitando preocupações...
Alguém chama para solicitar um favor...
Certo familiar se queixa de dores súbitas...
Colapso do sistema de condução...
Dificuldades de trânsito...
O colaborador do serviço de socorro aos desencarnados sofredores não pode hesitar. Providencie de imediato, as soluções razoáveis para esses pequeninos problemas e siga ao encontro das obrigações espirituais que o aguarda, lembrando-se de que mesmo as festas de natureza familiar, quais sejam as comemorações de aniversários ou os júbilos por determinados eventos domésticos, não devem ser categorizados à conta de obstrução.

9.3 Homogeneidade de pensamentos

“O capítulo “mandato mediúnico” dá-nos margem para se verificar a extensão do auxílio dispensado ao médium investido de tal encargo. Mesmo nos ambientes heterogêneos, onde os pensamentos inadequados poderiam influenciá-lo levando-o a equívocos, a proteção se faz de modo eficiente e sumamente confortador.
Além do seu próprio equilíbrio, autodefesa decorrente das virtudes que exornam a sua pessoa, tais como as referidas anteriormente e consideradas essenciais ao mandato mediúnico, trabalha o médium dentro de uma faixa magnética que o liga ao responsável pela obra de que está incumbido, segundo se verifica nas palavras a seguir transcritas entre Dona Ambrosina e Gabriel (...): destacava-se agora extensa faixa elástica de luz azulínea, e amigos espirituais, prestos na solidariedade, nela entravam e, um a um, tomavam o braço da medianeira, depois de lhe influenciarem os centros corticais, atendendo, tanto quanto possível, aos problemas ali expostos”.
Essa faixa de luz - partindo do irmão Gabriel e envolvendo inteiramente a médium - tem a finalidade de defendê-la contra a avalanche de formas-pensamentos dos encarnados e dos desencarnados menos esclarecidos, os quais, em sua generalidade, carreiam aflitivos problemas e dolorosas inquietudes.

Nenhuma interferência ao receituário, graças a essa barreira magnética que a sua condição de médium no exercício do mandato e a magnitude da tarefa justificam plenamente.
Ao que mais tem mais lhe será dado..” - afirmou o Mestre Divino.
Os pensamentos de má vontade, de vingança e revolta, bem assim os de curiosidade, não conseguem perturbar a tarefa do médium que, no espírito de sacrifício e no devotamento do bem, se edificou em definitivo.
Bondade, discrição, discernimento, perseverança e sacrifício somam, na contabilidade do Céu, proteção e ajuda”.
“Não podemos entender serviço mediúnico sem noção de responsabilidade individual”.
É inconcebível se promova o intercâmbio com a Espiritualidade sem que haja, da parte de cada um e de todos, em conjunto, aquela nota de respeito e veneração que nos faz servir, “espiritualmente ajoelhados”, às tarefas mediúnicas.
Os amigos Espirituais consagram tanto respeito ao setor mediúnico que o assistente Áulus, ao se dirigir para sala de reuniões, teve as seguintes palavras que, de maneira expressiva, e singular, traduzem a maneira como encaram o serviço:
“Vemos aqui o salão consagrado aos ensinamentos públicos. Todavia, o núcleo que buscamos (sala de sessões mediúnicas), jaz em reduto íntimo, assim o coração dentro do corpo”.(...)
E, referindo-se à preparação dos encarnados, antes do início dos trabalhos, reporta-se a:
“Quinze minutos de prece, quando não sejam de palestra ou leitura com elevadas bases morais”.
Não se justifica, realmente, que antes das reuniões, demorem-se os encarnados em conversações inteiramente estranhas às suas finalidades. Não se justificam a conversação inadequada e o ambiente impregnado de fumo, numa ostensiva desatenção a respeitáveis entidades e num desapreço aos irmãos sofredores trazidos aos centros afins de que, em ambiente purificado, sejam superiormente atendidos.
Há grupos em que os encarnados se comprazem, inclusive, em palestras desaconselháveis que estimulam paixões, tais como, política, negócios e alusões a companheiros ausentes, numa prova indiscutível de que não colaboram para que os recintos reservados às tarefas espirituais adquiram a feição de templos iluminativos.
Salientando o sentimento de responsabilidade dos dez companheiros do grupo visitado, Áulus esclarece:
“      Sabem que não devem abordar o mundo espiritual sem a atitude nobre e digna que lhes outorgará a possibilidade de atrair companhias edificantes, e, por este motivo, não comparecem aqui sem trazer ao campo que lhes é invisível as sementes do melhor que possuem”.
Tendo Jesus Cristo afirmado que estaria sempre, “onde duas ou três pessoas se reunissem em seu nome”, estamos convictos de que, onde o trabalho se realizar sob a inspiração de seu amor, num palacete ou num casebre, a Sua Presença se fará por meio de iluminados mensageiros.”

AUTORAVÓLIA LOUREIRO DO AMARAL LIMA


REFERÊNCIAS

1) Kardec, A. O Livro dos Médiuns. 29. ed. FEB.
2) Armond, E. Mediunidade. 9. ed. LAKE.
3) Xavier, F. C.; Vieira, W./Luis, A. Desobsessão. 1. ed. FEB.
4) Peralva, J. M. Estudando a Mediunidade.  4. ed. FEB.
5) Franco, D. P./Miranda M. P. Nos Bastidores da Obsessão.
6) Xavier, F. C./Luis, A. Nos Domínios da Mediunidade.
7) Franco, D. P./Miranda M. P Tramas do Destino.
8) Miranda, H. C. Diversidade dos Carismas.

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