segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Da Influência do Meio - 2ª Parte

Sendo os Espíritos desencarnados muito impressionáveis, sofrem acentuadamente a influência do meio.
Toda reunião espírita deve, pois, procurar a maior homogeneidade possível.
O êxito das sessões espíritas se encontra na dependência dos fatores objetivos que as produzem, das pessoas que as compõem e do programa estabelecido nos dois planos (material e espiritual):
a) As Intenções:
"As intenções, fundamentadas nos preceitos evangélicos do amor e da caridade, do estudo e da aprendizagem, são as que realmente atraem os Espíritos superiores, sem cuja contribuição valiosa, os resultados decaem para a frivolidade, a monotonia e não raro para a obsessão." (Manoel Philomeno de Miranda)

b) O ambiente ou Meio Espiritual:
"Não sendo apenas o de construção material, o ambiente deve ser elaborado e mantido por meio de leitura edificante e da oração, debatendo-se os princípios morais capazes de criar uma atmosfera pacificadora, otimista e refazente." (Manoel Philomeno de Miranda)

c) Os Membros Componentes:
                 Os médiuns, segundo Emmanuel,
"em sua generalidade, não são missionários na acepção comum do termo; são almas que fracassaram desastradamente, que contrariaram, sobremaneira, o curso das leis divinas e que resgatam, sob o peso de severos compromissos e ilimitadas responsabilidades, o passado obscuro e delituoso."

Assim, todo médium deve resguardar-se na humildade, na modéstia, convicto de que é uma alma em processo de redenção e aperfeiçoamento, pelo trabalho e o estudo.
A seriedade de uma reunião, entretanto, não é sempre suficiente para haver comunicações elevadas. É indispensável a harmonização dos sentimentos e o amor para atrair os bons Espíritos. Por isso os componentes da reunião devem esforçar-se por manter os requisitos mínimos, instruindo-se e elevando-se moralmente.
Os médiuns deverão manter disciplina interior, equilibrando suas emoções, seus pensamentos, palavras e atos para se tornarem maleáveis às instruções dos Espíritos superiores. A faculdade mediúnica não os isenta das responsabilidades morais imprescindíveis à própria renovação e esclarecimento, o que irá facilitar a sintonia com os mentores da reunião e melhores condições de exercerem a enfermagem libertadora aos Espíritos trazidos para tratamento.
O Dirigente deverá possuir os requisitos mínimos para liderar o grupo mediúnico que são: amor, boa vontade, estudo e atitudes corretas. Segundo André Luiz (Nos Domínios da Mediunidade), o dirigente deverá ter:
"devoção à fraternidade, correção no cumprimento dos deveres, fé ardorosa, compreensão, boa vontade, equilíbrio, prudência e muito amor no coração."

Os Doutrinadores (dialogadores) devem, igualmente, evangelizar-se estudando a Doutrina e capacitando-se para entender e elaborar nos diversos misteres do serviço de esclarecimento e tratamento Espiritual.
Na mesma linha de deveres dos médiuns, não poderão descurar do problema psíquico da sintonia, a fim de estabelecerem contato com o dirigente do plano espiritual que supervisiona os empreendimentos de tal natureza.
O doutrinador exerce a posição de elemento-terra, o mediador consciente da Espiritualidade, que deverá analisar os problemas e as idéias de modo equilibrado e inteiramente lúcido, revestindo-as com as luzes do Evangelho de Jesus e em coerência com os ensinamentos codificados por Allan Kardec.
Não poderemos deixar de analisar a influência dos Espíritos que são trazidos em tratamento às reuniões mediúnicas.
Invariavelmente, aqueles que sabem perseverar, sem adiarem o trabalho de edificação interior, se fazem credores da assistência dos Espíritos interessados na sementeira da esperança e da felicidade na Terra - programa sublime presidido por Jesus, das altas esferas.
Nas reuniões sérias, os seus membros não podem compactuar com a negligência aos deveres estabelecidos em prol da ordem geral e da harmonia, para que a infiltração dos Espíritos infelizes não as transformem em celeiros de balbúrdia, de desordem e perturbação.
"Para que uma sessão espírita possa interessar aos instrutores espirituais, não poderá abstrair do elevado padrão moral de que se devem revestir todos os participantes, (... principalmente o médium onde a exteriorização dos seus fluidos, isto é, a vibração do seu próprio Espírito, que é resultante dos atos morais praticados, o distingue das diversas criaturas, oferecendo material específico aos instrutores espirituais para as múltiplas operações que se realizam nos abençoados núcleos espiritistas sérios, que têm em vista o santificante programa de desobsessão espiritual." (Kardec, A. Livro dos Médiuns, Cap. 29:).
"A influência do meio decorre dos Espíritos e da maneira porque agem sobre os seres vivos. Dessa influência cada qual pode deduzir por si mesmo as condições mais favoráveis para uma sociedade que aspire atrair a simpatia dos Espíritos bons, obtendo boas comunicações e afastando as más."(Kardec, A. Livro dos Médiuns. Cap. 29: 341).

Essas condições dependem inteiramente das disposições morais dos assistentes.
Pode-se resumi-las nos seguintes pontos:

  Perfeita comunhão de idéias e sentimentos;
  Benevolência recíproca entre todos os membros;
  Renúncia de todo sentimento contrário à verdadeira caridade cristã;
  Desejo uníssono de se instruir e de melhorar-se pelo ensinamento dos Espíritos bons e aproveitando os seus conselhos;
  Exclusão de tudo o que, nas comunicações solicitadas aos Espíritos, só tenha por objetivo a curiosidade;
  Concentração e silêncio respeitosos durante as conversações com os Espíritos;
  Concurso de todos os médiuns com renúncia a qualquer sentimento de orgulho, de amor próprio e de supremacia, com o desejo único de se tornarem úteis.

Se cumpríssemos estes itens teríamos a "reunião ideal", dentro do que preceitua a codificação espírita.
"As condições do meio serão tanto melhores, quanto maior homogeneidade houver para o bem, com mais sentimentos puros elevados, mais sincero desejo de ajudar e aprender, sem segundas intenções." (Livro dos Médiuns, Cap. 21: 233).
A lógica e o discernimento nos aconselham prudência, disciplina e equilíbrio para que sejamos bem orientados espiritualmente, já que a influência do meio, isto é, "a consequência da natureza dos Espíritos e de seu modo de ação sobre os seres vivos" nos fará deduzir em quais condições obteremos resultados mais favoráveis, em nossa reuniões mediúnicas.
Vamos seguir as diretrizes traçadas por Allan Kardec e termos reuniões mais produtivas, mais disciplinadas e harmônicas.
"Tendo por objetivo a melhoria dos homens, o Espiritismo não vem procurar os perfeitos, mas os que se esforçam em o ser, pondo em prática os ensinos dos Espíritos. O verdadeiro espírita não é o que alcançou a meta, mas o que seriamente quer atingi-la." (Kardec,A. Revista Espírita, 1861. p. 394, item 11).
"Estudem antes de praticar porque é a única forma de não adquirirem experiência através do próprio sofrimento." (Kardec, A..

A mediunidade bem exercida é roteiro de iluminação que proporciona aventuras inimagináveis, quando a afeição e o amor a abraçam em favor da humanidade. Assim considerada e vivida, serão superados os fatores do meio que, ao invés de influenciar sempre, passam a sofrer-lhe a influenciação, estabelecendo-se psicosfera benéfica quão salutar para todos aqueles que constituem o grupo no qual ela se desdobra.
Cabe ao médium sincero sobrepor-se às influências do meio onde opera as suas conquistas pessoais, gerando, em sua volta, uma psicosfera positiva quão otimista sob todos os aspectos propícios à execução do compromisso a que se dedica.

"Não se descarte, pois, a influência do meio, que deve ser superior, nem a do médium, que se deve apresentar equipado dos recursos próprios, de modo que se recolham boas e proveitosas comunicações, ampliando-se o campo de percepção do mundo espiritual, causal e pulsante, no qual se encontra mergulhado em escala menor, o físico, por onde se movimentam homens, no processo de crescimento e evolução." (Franco, D. P./Manoel Philomeno de Miranda. Temas da Vida e da Morte.)
(segue na próxima postagem)

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