sábado, 30 de novembro de 2013

Não há médiums infalíveis.

Ótima e esclarecedora postagem. Peço permissão ao irmão Edson Rocha, para repercutir aqui em nosso pequeno blog a sua postagem.
O link abaixo com a postagem completa pode ser acessado a seguir:
http://kardeconline.com.br/profiles/blogs/nao-ha-mediuns-infaliveis#axzz2m8PTEcKH

E aqui o texto na íntegra. O vídeo publicamos em outra postagem.
De extremo fanatismo são as premissas que desnorteiam o pensamento dos sectários mediunistas, aqueles que não suportam qualquer crítica à produção de seus médiuns favoritos, produção que, na verdade, é dos espíritos. O pressuposto errôneo em que se apoiam é o da “folha de serviço”, isto é, os médiuns que muito se dedicam à caridade não seriam passíveis de ser enganados, pois os espíritos protetores não o permitiriam. Eis o erro. É função dos benfeitores estimular nos médiuns a responsabilidade do exercício de sua razão. O discernimento, portanto, este sim, é que constitui o melhor contraveneno às inoculações dos espíritos pseudossábios nos comunicados de além-túmulo. Sou eu quem o diz? Não, em absoluto. É Allan Kardec:
  Pelo próprio fato de o médium não ser perfeito, Espíritos levianos, embusteiros e mentirosos podem interferir em suas comunicações, alterar-lhes a pureza e induzir em erro o médium e os que a ele se dirigem. Eis aí o maior escolho do Espiritismo e nós não lhe dissimulamos a gravidade. Podemos evitá-lo? Dizemos altivamente: sim, podemos. O meio não é difícil, exigindo apenas discernimento. [...]
  As boas intenções, a própria moralidade do médium nem sempre são suficientes para o preservarem da ingerência dos Espíritos levianos, mentirosos ou pseudossábios, nas comunicações. Além dos defeitos de seu próprio Espírito, pode dar-lhes guarida por outras causas, das quais a principal é a fraqueza de caráter e uma confiança excessiva na invariável superioridade dos Espíritos que com ele se comunicam.[1]
  Ora, prova a experiência que os maus se comunicam tão bem quanto os bons. Os que são francamente maus são facilmente reconhecíveis; mas há também, entre eles, semissábios, pseudossábios, presunçosos, sistemáticos e até hipócritas. Estes são os mais perigosos, porque afetam uma aparência de gravidade, de sabedoria e de ciência, em favor da qual enunciam, em meio a algumas verdades e boas máximas, as coisas mais absurdas. [...]
Separar o verdadeiro do falso, descobrir o embuste escondido numa exibição de palavras bonitas, desmascarar os impostores, eis, sem contradita, uma das maiores dificuldades da ciência espírita. Para superá-la, faz-se necessária uma longa experiência, conhecer todas as astúcias de que são capazes os Espíritos de baixa classe, ter muita prudência, ver as coisas com o mais imperturbável sangue-frio e, sobretudo, guardar-se contra o entusiasmo que cega.[2]
  Entretanto, afora os defeitos do próprio Espírito dos médiuns, o que mais se vê é justamente a fraqueza de caráter; nada referente, aqui, a desonestidade, ou má-fé, e sim a um problema de atitude pessoal. Não raro, esquivam-se da responsabilidade de julgar, ou de submeter ao juízo de outrem, aquilo que recebem. Em geral, há neles confiança excessiva na invariável superioridade dos Espíritos que supostamente os orientam, ou que por si mais se comunicam e, portanto, não se guardam contra o entusiasmo que cega.
  Tal postura contamina os eventuais seguidores e eis então o sectarismo mediunista, esse estado deplorável de dormência da razão, que vem incapacitando os espíritas de enxergar, em meio a algumas verdades e boas máximas, as coisas mais absurdas; que os têm feito esquecer que os maus se comunicam tão bem quanto os bons, razão pela qual nem sempre hão estado prontos a descobrir o embuste escondido numa exibição de palavras bonitas, a fim de desmascarar os impostores.
  Não, não há médium infalível, ou perfeito, num mundo de provas e expiações. O que pode haver, no máximo, é um “bom médium, e já é muito, pois são raros”, diz a Doutrina Espírita. E mais:
  O médium perfeito seria aquele que os maus Espíritos jamais ousassem fazer uma tentativa de enganar. O melhor é o que, simpatizando somente com os bons Espíritos, tem sido enganado menos vezes. [...] Os Espíritos bons permitem que os melhores médiuns sejam às vezes enganados, para que exercitem o seu julgamento e aprendam a discernir o verdadeiro do falso. Além disso, por melhor que seja um médium, jamais é tão perfeito que não tenha um lado fraco, pelo qual possa ser atacado.[3]
  E Chico Xavier? Seria exceção aos princípios kardecianos? Seria um médium cujo espírito não teria defeitos que ensejassem a eventual ingerência de pseudossábios nas obras que psicografou? Em rede nacional, dia 21/12/1971, disse: “[...] nos informamos com ele [Emmanuel] de que, em outras vidas, abusamos muito da inteligência [...]”. E reproduziu também as palavras do jesuíta: “Você não escreverá livros, em pessoa, porque você mesmo renunciou a isso [...] seu espírito, fatigado de muitos abusos dentro da intelectualidade, quis agora ceder as suas possibilidades físicas a nós outros, os amigos espirituais”.[4]
  Então que a razão responda.
  Em setembro de 1937, Chico assinou o prefácio do livro de seu guia, cujo título, sintomaticamente, traz o nome do próprio Espírito: “Emmanuel”. O que mais o impressionou, em 1931, foi que “a generosa entidade se fazia visível dentro de reflexos luminosos que tinham a forma de uma cruz”. Termina isentando-se por completo: “Entrar na apreciação do livro, em si mesmo, é coisa que não está na minha competência”.
  Naturalmente, a “competência” coube aos editores rustenistas da F.E.B., desde todo o sempre, os formadores da personalidade mediúnica de Chico Xavier. Resultado: a generosa entidade de luzes em forma de cruz apresentou o perispírito na condição de “sede das faculdades, dos sentimentos, da inteligência e, sobretudo, o santuário da memória”, bem como afirmou, astronáutica, que “Marte ou Saturno já atingiram um estado mais avançado em conhecimentos, melhorando as condições de suas coletividades”.[5]
  Esta sempre foi a postura equívoca de Chico Xavier ante os comunicados que recebia: simples máquina de escrever. Não se aplicava em discernir os conteúdos. Detinha-se nos aspectos morais. Isso por certo encorajou os autores a dizer tudo o que queriam, sem resistência. E tudo era publicado, afinal vinha de um médium “perfeito”. E agora? Agora, os leitores que se virem com as impropriedades de todas as ordens, as almas gêmeas, a alimentação “física”, as salas de banho, os eventos com entrada paga, os animais no além, entre tantas outras inverdades que suas obras veiculam tão candidamente, nessa falsa complementação febiana a Kardec; sim, falsa, porque o contradiz ao mesmo tempo em que o exalta; um perigo mortal, uma armadilha perfeita aos espíritas desavisados.[6]
  Os médiuns de mais mérito não estão ao abrigo das mistificações dos Espíritos embusteiros; primeiro, porque não há ainda, entre nós, pessoa assaz perfeita, para não ter algum lado fraco, pelo qual dê acesso aos maus Espíritos; segundo, porque os bons Espíritos permitem mesmo, às vezes, que os maus venham, a fim de exercitarmos a nossa razão, aprendermos a distinguir a verdade do erro e ficarmos de prevenção, não aceitando cegamente e sem exame tudo quanto nos venha dos Espíritos; nunca, porém, um Espírito bom nos virá enganar; o erro, qualquer que seja o nome que o apadrinhe, vem de uma fonte má. Essas mistificações ainda podem ser uma prova para a paciência e perseverança do espírita, médium ou não; e aqueles que desanimam, com algumas decepções, dão prova aos bons Espíritos de que não são instrumentos com que eles possam contar.[7]
  Bem entendido que nada disso tem o poder de anular a consolação prodigalizada mediante suas faculdades; sobretudo, a tantos aflitos com a perda de seus queridos, e a quem Deus, antes de mais ninguém, é que permitiu se comunicassem de modo tão patente. O Espiritismo, todavia, não se detém nesse ângulo da questão. O fenômeno é uma coisa; o conteúdo, o saber que pode ser integrado ao corpo da Doutrina, é outra, e está num andar mais alto, diz respeito a algo maior que um médium, ou um espírito: se prende à transmissão das verdades às gerações futuras, impossível sem discernimento, porquanto estas verdades sempre têm seu cortejo inevitável de erros, e o Espiritismo mostra onde estão as verdades, sim, mas também onde estão os erros.[8]

Sergio Aleixo

[1] Revista Espírita. Fev/1859. Escolhos dos Médiuns.
[2] Revista Espírita. Abr/1860. Formação da Terra.
[3] O Livro dos Médiuns, 226, 9.ª e 10.ª Grifo meu.
[4] DVD Pinga-Fogo 2. Clube de Arte. Menu: 39 e 41.
[5] Emmanuel. 15.ª ed., F.E.B., pp. 133 e 21. Cf. Cap. 20: Kardec Versus Emmanuel em 12 Passos, http://ensaiosdahoraextrema.blogspot.com.br/2011/06/kardec-versus-e....
[7] KARDEC, O Que é o Espiritismo. Cap. II, n. 82.
[8] Instruções de Santo Agostinho. Cf. Revista Espírita. Jul/1863. Sobre as Comunicações dos Espíritos. Grupo Espírita de Sétif, Argélia. O Livro dos Espíritos. Conclusão, IX.




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Vídeo de Sérgio Aleixo - O movimento espírita e sua bibliografia.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Da Influência do Meio - 4ª Parte

9.2 Superações de obstáculos naturais

“Precisa, por outro lado (o médium), criar um ambiente doméstico favorável, pacífico, fugindo às discussões estéreis e desentendimentos, e sofrer as contrariedades inevitáveis com paciência e tolerância evangélicas.
Como pai, como irmão ou como filho, mas, sobretudo, como esposo, deve viver em seu lar como um exemplo vivo de pacificação, de acomodação, de conselho e de boa vontade. Não esqueça que, em sua qualidade de médium de prova, ainda não desenvolvido, ou melhor educado, representa sempre uma porta aberta a influências perniciosas de caráter inferior que, por seu intermédio, comumente atingem os indivíduos com quem convive.
E, quanto à sua vida social, deve exercer seus deveres com rigor e honestidade, guardando-se, porém, de se deixar contaminar pelas influências malévolas naturais dos meios em que se põem em contato indivíduos de toda espécie, sem homogeneidade de pensamentos, crenças, educação e sentimentos”.
“Na série de obstáculos que, em muitas ocasiões, parecem inteligentemente determinados a lhe entravarem o passo reponta os mais imprevistos contratempos à frente do servidor da desobsessão.
Uma criança cai, explodindo em choro...
Desaparece a chave de uma porta...
Um recado chega de imprevisto, suscitando preocupações...
Alguém chama para solicitar um favor...
Certo familiar se queixa de dores súbitas...
Colapso do sistema de condução...
Dificuldades de trânsito...
O colaborador do serviço de socorro aos desencarnados sofredores não pode hesitar. Providencie de imediato, as soluções razoáveis para esses pequeninos problemas e siga ao encontro das obrigações espirituais que o aguarda, lembrando-se de que mesmo as festas de natureza familiar, quais sejam as comemorações de aniversários ou os júbilos por determinados eventos domésticos, não devem ser categorizados à conta de obstrução.

9.3 Homogeneidade de pensamentos

“O capítulo “mandato mediúnico” dá-nos margem para se verificar a extensão do auxílio dispensado ao médium investido de tal encargo. Mesmo nos ambientes heterogêneos, onde os pensamentos inadequados poderiam influenciá-lo levando-o a equívocos, a proteção se faz de modo eficiente e sumamente confortador.
Além do seu próprio equilíbrio, autodefesa decorrente das virtudes que exornam a sua pessoa, tais como as referidas anteriormente e consideradas essenciais ao mandato mediúnico, trabalha o médium dentro de uma faixa magnética que o liga ao responsável pela obra de que está incumbido, segundo se verifica nas palavras a seguir transcritas entre Dona Ambrosina e Gabriel (...): destacava-se agora extensa faixa elástica de luz azulínea, e amigos espirituais, prestos na solidariedade, nela entravam e, um a um, tomavam o braço da medianeira, depois de lhe influenciarem os centros corticais, atendendo, tanto quanto possível, aos problemas ali expostos”.
Essa faixa de luz - partindo do irmão Gabriel e envolvendo inteiramente a médium - tem a finalidade de defendê-la contra a avalanche de formas-pensamentos dos encarnados e dos desencarnados menos esclarecidos, os quais, em sua generalidade, carreiam aflitivos problemas e dolorosas inquietudes.

Nenhuma interferência ao receituário, graças a essa barreira magnética que a sua condição de médium no exercício do mandato e a magnitude da tarefa justificam plenamente.
Ao que mais tem mais lhe será dado..” - afirmou o Mestre Divino.
Os pensamentos de má vontade, de vingança e revolta, bem assim os de curiosidade, não conseguem perturbar a tarefa do médium que, no espírito de sacrifício e no devotamento do bem, se edificou em definitivo.
Bondade, discrição, discernimento, perseverança e sacrifício somam, na contabilidade do Céu, proteção e ajuda”.
“Não podemos entender serviço mediúnico sem noção de responsabilidade individual”.
É inconcebível se promova o intercâmbio com a Espiritualidade sem que haja, da parte de cada um e de todos, em conjunto, aquela nota de respeito e veneração que nos faz servir, “espiritualmente ajoelhados”, às tarefas mediúnicas.
Os amigos Espirituais consagram tanto respeito ao setor mediúnico que o assistente Áulus, ao se dirigir para sala de reuniões, teve as seguintes palavras que, de maneira expressiva, e singular, traduzem a maneira como encaram o serviço:
“Vemos aqui o salão consagrado aos ensinamentos públicos. Todavia, o núcleo que buscamos (sala de sessões mediúnicas), jaz em reduto íntimo, assim o coração dentro do corpo”.(...)
E, referindo-se à preparação dos encarnados, antes do início dos trabalhos, reporta-se a:
“Quinze minutos de prece, quando não sejam de palestra ou leitura com elevadas bases morais”.
Não se justifica, realmente, que antes das reuniões, demorem-se os encarnados em conversações inteiramente estranhas às suas finalidades. Não se justificam a conversação inadequada e o ambiente impregnado de fumo, numa ostensiva desatenção a respeitáveis entidades e num desapreço aos irmãos sofredores trazidos aos centros afins de que, em ambiente purificado, sejam superiormente atendidos.
Há grupos em que os encarnados se comprazem, inclusive, em palestras desaconselháveis que estimulam paixões, tais como, política, negócios e alusões a companheiros ausentes, numa prova indiscutível de que não colaboram para que os recintos reservados às tarefas espirituais adquiram a feição de templos iluminativos.
Salientando o sentimento de responsabilidade dos dez companheiros do grupo visitado, Áulus esclarece:
“      Sabem que não devem abordar o mundo espiritual sem a atitude nobre e digna que lhes outorgará a possibilidade de atrair companhias edificantes, e, por este motivo, não comparecem aqui sem trazer ao campo que lhes é invisível as sementes do melhor que possuem”.
Tendo Jesus Cristo afirmado que estaria sempre, “onde duas ou três pessoas se reunissem em seu nome”, estamos convictos de que, onde o trabalho se realizar sob a inspiração de seu amor, num palacete ou num casebre, a Sua Presença se fará por meio de iluminados mensageiros.”

AUTORAVÓLIA LOUREIRO DO AMARAL LIMA


REFERÊNCIAS

1) Kardec, A. O Livro dos Médiuns. 29. ed. FEB.
2) Armond, E. Mediunidade. 9. ed. LAKE.
3) Xavier, F. C.; Vieira, W./Luis, A. Desobsessão. 1. ed. FEB.
4) Peralva, J. M. Estudando a Mediunidade.  4. ed. FEB.
5) Franco, D. P./Miranda M. P. Nos Bastidores da Obsessão.
6) Xavier, F. C./Luis, A. Nos Domínios da Mediunidade.
7) Franco, D. P./Miranda M. P Tramas do Destino.
8) Miranda, H. C. Diversidade dos Carismas.

Da Influência do Meio - 3ª Parte

9.1 Comunicações espelhando as idéias presentes

“Os Espíritos superiores procuram encaminhar para uma corrente de idéias sérias as reuniões fúteis?”
R- Os Espíritos superiores não vão às reuniões onde sabem que a presença deles é inútil. Nos meios pouco instruídos, mas onde há sinceridade, de boa mente vamos, ainda mesmo que aí só encontremos instrumentos medíocres. Não vamos, porém, aos meios instruídos onde domina a ironia. Em tais meios, é necessário se fale aos ouvidos e aos olhos: Esse o papel dos Espíritos batedores e zombeteiros. Convém que aqueles que se orgulham da sua ciência sejam humilhados pelos Espíritos menos instruídos e menos adiantados.
“Aos Espíritos inferiores é interditado o acesso às reuniões sérias?”
R- Não, algumas vezes lhes é permitido assistir a elas, a fim de aproveitarem os ensinos que vos são dados”.
“Partindo desse princípio, suponhamos uma reunião de homens levianos, inconseqüentes, ocupados com seus prazeres; quais serão os Espíritos que preferencialmente os cercarão?”
R- Não serão, de certo, os Espíritos superiores, do mesmo modo que não seriam os nossos sábios e filósofos os que iriam passar o seu tempo em semelhante lugar. Assim, onde quer que haja uma reunião de homens, há igualmente em torno deles uma assembléia oculta, que simpatiza com suas qualidades e seus defeitos, feita abstração completa de toda a idéia de evocação. Admitamos agora que tais homens tenham a possibilidade de se comunicarem com seres do mundo invisível, por meio de um intérprete, isto é, por meio de um médium; quais serão os que lhes responderão o chamado? Evidentemente, os que os estão rodeando de muito perto, à espreita de uma ocasião de se comunicarem. Se numa assembléia fútil, chamarem um Espírito superior, este poderá vir e até proferir algumas palavras poderosas, como um bom [pastor que acode ao chamamento de suas ovelhas desgarradas. Porém, desde que não se veja compreendido nem ouvido, retire-se, como em seu lugar o faria qualquer de nós, ficando os outros com o campo livre.”
“Quando as comunicações concordam com a opinião dos assistentes, não é que essa opinião se reflita no Espírito do médium como num espelho; é que com os assistentes estão Espíritos que lhes são simpáticos, para o bem, tanto para o mal, e que abundam nos seus modos de ver. Prova-o o fato de que, se tiverdes a força de atrair outros Espíritos, que não os vos cercam, o mesmo médium usará linguagem absolutamente diversa e dirá coisas muito distanciadas das vossas idéias e das vossas convicções.
“Em resumo: As condições dos meios serão tanto melhores quanto mais homogeneidade houver para o bem, mais sentimentos puros e elevados, mais desejo sincero de instrução, sem idéias preconcebidas”.
“É preciso, portanto, que (os médiuns) somente frequentem sessões onde encontrem ambientes verdadeiramente espiritualizados, onde imperem as forças boas e onde as más, quando se apresentarem, possam ser dominadas.
E, sessões desta natureza só podem existir onde haja da parte de seus dirigentes, um objetivo elevado a atingir, fora do personalismo e da influência de interesses materiais, onde os dirigentes estejam integrados na realização de um programa elaborado e executado em conjunto com entidades espirituais de hierarquia elevada.”

Sem espiritualidade não se consegue isso; sem evangelho não se consegue espiritualidade e sem propósito firme e perseverante de reforma moral não se realiza o evangelho.
(segue na próxima posragem) 

Da Influência do Meio - 2ª Parte

Sendo os Espíritos desencarnados muito impressionáveis, sofrem acentuadamente a influência do meio.
Toda reunião espírita deve, pois, procurar a maior homogeneidade possível.
O êxito das sessões espíritas se encontra na dependência dos fatores objetivos que as produzem, das pessoas que as compõem e do programa estabelecido nos dois planos (material e espiritual):
a) As Intenções:
"As intenções, fundamentadas nos preceitos evangélicos do amor e da caridade, do estudo e da aprendizagem, são as que realmente atraem os Espíritos superiores, sem cuja contribuição valiosa, os resultados decaem para a frivolidade, a monotonia e não raro para a obsessão." (Manoel Philomeno de Miranda)

b) O ambiente ou Meio Espiritual:
"Não sendo apenas o de construção material, o ambiente deve ser elaborado e mantido por meio de leitura edificante e da oração, debatendo-se os princípios morais capazes de criar uma atmosfera pacificadora, otimista e refazente." (Manoel Philomeno de Miranda)

c) Os Membros Componentes:
                 Os médiuns, segundo Emmanuel,
"em sua generalidade, não são missionários na acepção comum do termo; são almas que fracassaram desastradamente, que contrariaram, sobremaneira, o curso das leis divinas e que resgatam, sob o peso de severos compromissos e ilimitadas responsabilidades, o passado obscuro e delituoso."

Assim, todo médium deve resguardar-se na humildade, na modéstia, convicto de que é uma alma em processo de redenção e aperfeiçoamento, pelo trabalho e o estudo.
A seriedade de uma reunião, entretanto, não é sempre suficiente para haver comunicações elevadas. É indispensável a harmonização dos sentimentos e o amor para atrair os bons Espíritos. Por isso os componentes da reunião devem esforçar-se por manter os requisitos mínimos, instruindo-se e elevando-se moralmente.
Os médiuns deverão manter disciplina interior, equilibrando suas emoções, seus pensamentos, palavras e atos para se tornarem maleáveis às instruções dos Espíritos superiores. A faculdade mediúnica não os isenta das responsabilidades morais imprescindíveis à própria renovação e esclarecimento, o que irá facilitar a sintonia com os mentores da reunião e melhores condições de exercerem a enfermagem libertadora aos Espíritos trazidos para tratamento.
O Dirigente deverá possuir os requisitos mínimos para liderar o grupo mediúnico que são: amor, boa vontade, estudo e atitudes corretas. Segundo André Luiz (Nos Domínios da Mediunidade), o dirigente deverá ter:
"devoção à fraternidade, correção no cumprimento dos deveres, fé ardorosa, compreensão, boa vontade, equilíbrio, prudência e muito amor no coração."

Os Doutrinadores (dialogadores) devem, igualmente, evangelizar-se estudando a Doutrina e capacitando-se para entender e elaborar nos diversos misteres do serviço de esclarecimento e tratamento Espiritual.
Na mesma linha de deveres dos médiuns, não poderão descurar do problema psíquico da sintonia, a fim de estabelecerem contato com o dirigente do plano espiritual que supervisiona os empreendimentos de tal natureza.
O doutrinador exerce a posição de elemento-terra, o mediador consciente da Espiritualidade, que deverá analisar os problemas e as idéias de modo equilibrado e inteiramente lúcido, revestindo-as com as luzes do Evangelho de Jesus e em coerência com os ensinamentos codificados por Allan Kardec.
Não poderemos deixar de analisar a influência dos Espíritos que são trazidos em tratamento às reuniões mediúnicas.
Invariavelmente, aqueles que sabem perseverar, sem adiarem o trabalho de edificação interior, se fazem credores da assistência dos Espíritos interessados na sementeira da esperança e da felicidade na Terra - programa sublime presidido por Jesus, das altas esferas.
Nas reuniões sérias, os seus membros não podem compactuar com a negligência aos deveres estabelecidos em prol da ordem geral e da harmonia, para que a infiltração dos Espíritos infelizes não as transformem em celeiros de balbúrdia, de desordem e perturbação.
"Para que uma sessão espírita possa interessar aos instrutores espirituais, não poderá abstrair do elevado padrão moral de que se devem revestir todos os participantes, (... principalmente o médium onde a exteriorização dos seus fluidos, isto é, a vibração do seu próprio Espírito, que é resultante dos atos morais praticados, o distingue das diversas criaturas, oferecendo material específico aos instrutores espirituais para as múltiplas operações que se realizam nos abençoados núcleos espiritistas sérios, que têm em vista o santificante programa de desobsessão espiritual." (Kardec, A. Livro dos Médiuns, Cap. 29:).
"A influência do meio decorre dos Espíritos e da maneira porque agem sobre os seres vivos. Dessa influência cada qual pode deduzir por si mesmo as condições mais favoráveis para uma sociedade que aspire atrair a simpatia dos Espíritos bons, obtendo boas comunicações e afastando as más."(Kardec, A. Livro dos Médiuns. Cap. 29: 341).

Essas condições dependem inteiramente das disposições morais dos assistentes.
Pode-se resumi-las nos seguintes pontos:

  Perfeita comunhão de idéias e sentimentos;
  Benevolência recíproca entre todos os membros;
  Renúncia de todo sentimento contrário à verdadeira caridade cristã;
  Desejo uníssono de se instruir e de melhorar-se pelo ensinamento dos Espíritos bons e aproveitando os seus conselhos;
  Exclusão de tudo o que, nas comunicações solicitadas aos Espíritos, só tenha por objetivo a curiosidade;
  Concentração e silêncio respeitosos durante as conversações com os Espíritos;
  Concurso de todos os médiuns com renúncia a qualquer sentimento de orgulho, de amor próprio e de supremacia, com o desejo único de se tornarem úteis.

Se cumpríssemos estes itens teríamos a "reunião ideal", dentro do que preceitua a codificação espírita.
"As condições do meio serão tanto melhores, quanto maior homogeneidade houver para o bem, com mais sentimentos puros elevados, mais sincero desejo de ajudar e aprender, sem segundas intenções." (Livro dos Médiuns, Cap. 21: 233).
A lógica e o discernimento nos aconselham prudência, disciplina e equilíbrio para que sejamos bem orientados espiritualmente, já que a influência do meio, isto é, "a consequência da natureza dos Espíritos e de seu modo de ação sobre os seres vivos" nos fará deduzir em quais condições obteremos resultados mais favoráveis, em nossa reuniões mediúnicas.
Vamos seguir as diretrizes traçadas por Allan Kardec e termos reuniões mais produtivas, mais disciplinadas e harmônicas.
"Tendo por objetivo a melhoria dos homens, o Espiritismo não vem procurar os perfeitos, mas os que se esforçam em o ser, pondo em prática os ensinos dos Espíritos. O verdadeiro espírita não é o que alcançou a meta, mas o que seriamente quer atingi-la." (Kardec,A. Revista Espírita, 1861. p. 394, item 11).
"Estudem antes de praticar porque é a única forma de não adquirirem experiência através do próprio sofrimento." (Kardec, A..

A mediunidade bem exercida é roteiro de iluminação que proporciona aventuras inimagináveis, quando a afeição e o amor a abraçam em favor da humanidade. Assim considerada e vivida, serão superados os fatores do meio que, ao invés de influenciar sempre, passam a sofrer-lhe a influenciação, estabelecendo-se psicosfera benéfica quão salutar para todos aqueles que constituem o grupo no qual ela se desdobra.
Cabe ao médium sincero sobrepor-se às influências do meio onde opera as suas conquistas pessoais, gerando, em sua volta, uma psicosfera positiva quão otimista sob todos os aspectos propícios à execução do compromisso a que se dedica.

"Não se descarte, pois, a influência do meio, que deve ser superior, nem a do médium, que se deve apresentar equipado dos recursos próprios, de modo que se recolham boas e proveitosas comunicações, ampliando-se o campo de percepção do mundo espiritual, causal e pulsante, no qual se encontra mergulhado em escala menor, o físico, por onde se movimentam homens, no processo de crescimento e evolução." (Franco, D. P./Manoel Philomeno de Miranda. Temas da Vida e da Morte.)
(segue na próxima postagem)

Da Influência do Meio - 1ª Parte

Existem três fatores básicos na comunicação mediúnica: o Espírito, o médium e o meio. Vamos analisar o meio em seus dois aspectos: material e espiritual.
a) Meio Material: local em que se desenrola o trabalho mediúnico. Fatores a serem observados:
  Área física;
  Componentes encarnados: dirigente, doutrinadores e médiuns.
b) Meio Espiritual: conjunto de fatores predisponentes que facilitam e orientam o trabalho mediúnico:
  Espíritos orientadores;
  Espíritos em tratamento;
  Fluidos resultantes das emanações dos dois planos (espiritual e material);
  Intenções dos participantes.
Segundo Manoel Philomeno de Miranda (Nos Bastidores da Obsessão), os fatores citados acima são requisitos para uma reunião séria, desde a área física, até as intenções e vibrações dos componentes.
Em [LM: 21, 231] Allan Kardec pergunta:
“O meio em que se acha o médium exerce alguma influência nas manifestações?”
R- Todos os Espíritos que cercam o médium o auxiliam, para o bem ou para o mal.”
Em Temas da Vida e da Morte Manoel Philomeno de Miranda diz:
"Que o meio ambiente exerce efeitos e predisposições nos seres vivos.
Embora o meio sócio-cultural seja consequência da ação do homem, tornasse-lhe fator de vigorosos efeitos no comportamento, o que tem levado muitas pessoas a concluir que - o homem é o produto do meio - salvo as inevitáveis exceções.”

É compreensível, portanto, que a influência do meio moral e emocional seja prevalente nos fenômenos mediúnicos.
Além da inevitável influência do médium, em decorrência dos seus componentes íntimos, o psiquismo do grupo responde por grande número de resultados nos cometimentos da mediunidade.
Do ponto de vista moral, os membros que constituem o núcleo, atraem, por afinidade, os Espíritos que lhe são semelhantes, em razão da convivência mental já existente entre eles. Onde quer que se apresentem os indivíduos, aí também estarão seus consórcios espirituais.
Assim, fica fácil entender o poder da associação de pensamento dos assistentes. Se o Espírito for, de qualquer maneira, atingido pelo pensamento, como nós somos pela voz, vinte pessoas unidas numa mesma intenção terão, necessariamente, mais força que uma só. Mas, para que todos os pensamentos concorram para o mesmo fim, é necessário que vibrem em uníssono, que se confundam por assim dizer em um só, o que não poderá acontecer sem concentração.
Para bem compreender o que se passa nestas circunstâncias, é importante se conhecer a influência do meio. É necessário representar cada indivíduo como que cercado por um certo número de companheiros invisíveis que identificam com o seu caráter, os seus gostos e as suas tendências (Kardec, A. LM: 29, 331] diz:
"Uma reunião é um ser coletivo cujas qualidades e propriedades são a soma de todas as dos seus membros, formando uma espécie de feixe; ora este feixe terá tanto mais força quanto mais homogêneo for."

Todos os componentes da reunião são acompanhados de Espíritos que lhe são simpáticos. Segundo o seu número e a sua natureza, esses companheiros podem exercer sobre a reunião ou sobre as comunicações uma influência boa ou má. Uma reunião perfeita seria aquela em que todos os seus membros, animados do mesmo amor pelo bem, só levassem consigo Espíritos bons. Na falta da perfeição, a melhor reunião será aquela em que o bem supera o mal.

Por outro lado, o Espírito chegando a um meio que lhe é inteiramente simpático sente-se mais à vontade. Contudo, se os pensamentos forem divergentes, provocam um entrechoque e idéias desagradáveis para o Espírito e, portanto, prejudicial à comunicação.
 (segue na próxima postagem)

A influência Moral do Médium -

“O desenvolvimento da mediunidade guarda relação com o desenvolvimento moral dos médiuns?”
R- Não; a faculdade propriamente dita se radica no organismo; independe do moral. O mesmo, porém, não se dá com o seu uso, que pode ser bom, ou mau, conforme as qualidades do médium”.

8.1 Afinidade

Se o médium, do ponto de vista da execução, não passa de um instrumento, exerce, todavia, influência muito grande, sob o aspecto moral. Pois que, para se comunicar, o Espírito desencarnado se identifica com o Espírito do médium, esta influência não se pode verificar, se não havendo, entre um e outro, simpatia e, se assim é, lícito dizer-se, afinidade. A alma exerce sobre o espírito livre uma espécie de atração, ou repulsão, conforme o grau de semelhança existente entre eles. Ora, os bons têm afinidade com os bons e os maus com os maus, donde se segue que as qualidades morais do médium exercem influência capital sobre a natureza dos Espíritos que por ele se comunicam. Se o médium é vicioso, em torno dele se vem grupar espíritos inferiores, sempre prontos a tomar lugar dos bons Espíritos evocados. As qualidades que, de preferência, atraem os bons Espíritos são: A bondade, a benevolência, a simplicidade do coração, o amor ao próximo, o desprendimento das coisas materiais. Os defeitos que os afastam são: O orgulho, o egoísmo, a inveja, o ciúme, o ódio, a cupidez, a sensualidade e todas as paixões que escravizam o homem à matéria.
Todas as imperfeições morais são outras tantas portas abertas ao acesso dos maus Espíritos. A que, porém, eles exploram com mais habilidade é o orgulho, porque é a que a criatura menos confessa a si mesma. O orgulho tem perdido muitos médiuns dotados das mais belas faculdades e que, se não fora esta imperfeição, teriam podido tornar-se instrumentos notáveis e muito úteis, ao passo que, presas de Espíritos mentirosos, suas faculdades, depois de se haverem pervertido, aniquilaram-se e mais de um se viu humilhado por amaríssimas decepções.
A par disso, ponha-se em evidência o quadro do médium verdadeiramente bom, daquele em quem se pode confiar. Supor-lhe-emos, antes de tudo, uma grandíssima facilidade de execução, que permita se comuniquem livremente os Espíritos, sem encontrarem qualquer obstáculo material. Isto posto, o que mais importa considerar é de que natureza são os Espíritos que habitualmente o assistem, para o que não se deve ater aos nomes, porém à linguagem. Jamais deverá ele perder de vista que a simpatia, que lhe dispensam os bons Espíritos, estará na razão direta de seus esforços por afastar os maus. Persuadido de que a sua faculdade é um dom que só lhe foi outorgado para o bem, de nenhum modo procura prevalecer-se dela, nem apresentá-la como demonstração de mérito seu. Aceita as boas comunicações, que lhe são transmitidas, como uma graça, de que lhe cumpre tornar-se cada vez mais digno, pela sua bondade, pela sua benevolência e pela sua modéstia. O primeiro se orgulha de suas relações com os Espíritos superiores; este outro se humilha, por se considerar sempre abaixo desse favor.

8.2 Médium perfeito

“Sempre se há dito que a mediunidade é um dom de Deus, uma graça, um favor. Por que, então, não constitui privilégio dos homens de bem e porque se vêem pessoas indignas que a possuem no mais alto grau e que dela usam mal?”
“- Todas as faculdades são favores pelos quais deve a criatura render graças a Deus, pois que homens hão privados delas. Podereis igualmente perguntar porque concede Deus vista magnífica a malfeitores, destreza a gatunos, eloquência aos que dela se servem para dizer coisas nocivas. O mesmo se dá com a mediunidade.Se há pessoas indignas que a possuem, é que disso precisam mais do que as outras, para se melhorarem”.
“Os médiuns, que fazem mau uso das suas faculdades, que não se servem delas para o bem, ou que não as aproveitam para se instruírem, sofrerão as consequências dessa falta?”
“- Se delas fizerem mau uso, serão punidos duplamente, porque têm um meio de mais se esclarecerem e o não aproveitam. Aquele que vê claro e tropeça é mais censurável do que o cego que cai no fosso.”
“Há médiuns aos quais, espontaneamente e quase constantemente, são dadas comunicações sobre o mesmo assunto, sobre certas questões morais, por exemplo, sobre determinados defeitos. Terá isso algum fim?”
“- Tem, e esse fim é esclarecê-los de certos defeitos. Por isso é que uns falarão continuamente do orgulho, a outros, da caridade. É que só a saciedade lhes poderá abrir, afinal, os olhos. Não há médium que faça mau uso da sua faculdade, por ambição ou interesse, que a comprometa por causa de um defeito capital, como o orgulho, o egoísmo, a leviandade, etc. E que, de tempos a tempos, não receba admoestações dos Espíritos. O pior é que as mais das vezes, eles não as tomam como dirigidas a si próprias”.
“Será absolutamente impossível as obtenham boas comunicações por um médium imperfeito?”
R- Um médium imperfeito pode algumas vezes obter boas coisas, porque, se dispões de uma bela faculdade, não é raro que os bons Espíritos se sirvam dele, à falta de outro, em circunstâncias especiais; porém, isso só acontece momentaneamente, porquanto, desde que os Espíritos encontrem um que mais lhe convenha, dão preferência a este”.
“Qual o médium que se poderia qualificar de perfeito?”
R- Perfeito, ah! Bem sabes que a perfeição não existe na Terra, sem o que não estaríeis nela. Dize, portanto, bom médium, e já é muito, por isso que eles são raros. Médium perfeito seria aquele contra o qual os maus Espíritos jamais ousariam uma tentativa de enganá-lo. O melhor é aquele que, simpatizando somente com bons Espíritos, tem sido o menos enganado”.
“Se ele só com os bons Espíritos simpatiza, como permitem estes que seja enganado?”
R- Os bons Espíritos permitem, às vezes, que isso aconteça com os melhores médiuns, para lhes exercitar a ponderação e para lhes ensinar a discernir o verdadeiro do falso. Depois, por muito bom que seja, um médium jamais é tão perfeito, que não possa ser atacado por algum lado fraco, isso lhe deve servir de lição. As falsas comunicações, que de tempos em tempos ele recebe, são avisos para que não se considere infalível e não se ensoberbeça”.
“Quais as condições necessárias para que a palavra dos Espíritos superiores nos chegue isenta de qualquer alteração?”
R- Querer o bem; repulsar o egoísmo e o orgulho. Ambas essas coisas são necessárias”. (L.M)

8.3 Repelir dez verdades a aceitar uma falsidade

       Desde que uma opinião nova venha a ser expedida, por pouco que vos pareça duvidosa, fazei-a passar pelo crivo da razão e da lógica e rejeitai desassombradamente o que a razão e o bom senso reprovarem. É melhor repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea. Efetivamente, sobre essa teoria podereis edificar um sistema completo, que desmoronaria ao primeiro sopro da verdade, como um monumento edificado sobre a areia movediça, ao passo que, se rejeitardes hoje algumas verdades, porque não vos são demonstradas claras e logicamente, mais tarde um fato brutal ou uma demonstração irrefutável virá afirmar-vos a sua autenticidade.”

AUTORAVÓLIA LOUREIRO DO AMARAL LIMA

REFERÊNCIASKardec, A. O Livro dos Médiuns. 29. ed. FEB.